O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, deu instruções à sua equipa para iniciar os preparativos para eleições, segundo revelou a revista The Economist. Embora ainda não exista um calendário definitivo, a maioria das fontes citadas pela publicação indica que Zelensky pretende realizar o escrutínio no verão.
De acordo com fontes do The Economist, Zelensky convocou uma reunião na semana passada para ordenar que a organização das eleições avance assim que seja alcançado um cessar-fogo total. Os Estados Unidos acreditam que esse cenário pode concretizar-se até ao final de abril. Um dos primeiros sinais disso, segundo a publicação, poderá surgir em 5 de maio, data-limite para o parlamento ucraniano decidir sobre a extensão da lei marcial.
A remoção da lei marcial é um passo essencial para a realização do processo eleitoral, uma vez que a legislação ucraniana exige pelo menos 60 dias de campanha antes do voto. Assim, a data mais próxima possível para uma eleição seria no início de julho. No entanto, algumas fontes do The Economist alertam que as autoridades eleitorais necessitariam de pelo menos três meses para atualizar os registos de eleitores, tendo em conta os desafios provocados pela guerra.
Uma campanha curta para limitar a oposição
Um alto funcionário do governo disse à The Economist que Zelensky pode tentar acelerar o processo e realizar as eleições em julho, contando que um período de campanha reduzido dificultaria a organização da oposição. O mesmo responsável argumentou ainda que uma campanha eleitoral prolongada poderia “dividir o país” num momento crítico.
Apesar da intenção de Zelensky, figuras da oposição apontam vários desafios logísticos que poderiam complicar um processo eleitoral tão rápido. Uma das questões mais prementes é garantir que milhões de ucranianos no estrangeiro, nas linhas da frente ou em territórios ocupados pela Rússia possam exercer o seu direito de voto. Uma solução sugerida é o uso da aplicação governamental Diia, mas a sua implementação levanta preocupações sobre a transparência do processo eleitoral.
Além disso, partidos da oposição no parlamento argumentam que eleições justas exigiriam o fim da censura e da propaganda de guerra, elementos que têm sido utilizados pelo governo ucraniano desde o início do conflito com a Rússia.
Pressões externas e movimentações políticas
Desde fevereiro, Donald Trump tem criticado repetidamente Zelensky, alegando que o presidente ucraniano tem uma baixa taxa de aprovação, chamando-o de “ditador” e exigindo que sejam realizadas eleições na Ucrânia. Por seu lado, o presidente russo, Vladimir Putin, também questionou a legitimidade de Zelensky, sugerindo que um governo temporário sob supervisão das Nações Unidas poderia ser instalado para organizar um novo sufrágio.
Zelensky respondeu às declarações de Trump afirmando que “não é possível” substituí-lo neste momento, reforçando a sua posição no poder.
Entretanto, no início de março, o portal Politico revelou que quatro altos assessores de Trump realizaram reuniões secretas com opositores políticos de Zelensky, incluindo Yulia Tymoshenko, líder do partido Batkivshchyna, e Petro Poroshenko, ex-presidente da Ucrânia e atual líder do partido Solidariedade Europeia. Segundo a investigação, as reuniões abordaram a possibilidade de realizar eleições presidenciais rapidamente no país.
Poroshenko negou qualquer envolvimento secreto e assegurou que ele e os seus aliados trabalham “publicamente e de forma transparente com parceiros americanos, com o objetivo de manter o apoio bipartidário à Ucrânia”. O ex-presidente reiterou ainda a sua oposição à realização de eleições em plena guerra.
Apesar das movimentações políticas e das pressões internas e externas, o futuro do processo eleitoral na Ucrânia permanece incerto. Se o governo ucraniano conseguir implementar um cessar-fogo e suspender a lei marcial nos próximos meses, Zelensky poderá avançar com os planos para uma votação já neste verão. No entanto, os desafios logísticos e as disputas políticas podem adiar ainda mais a decisão, prolongando a incerteza num país devastado pelo conflito.














