A Administração Trump apresentou uma proposta de lei que pretende limitar significativamente a duração dos vistos atribuídos a estudantes, participantes em intercâmbios culturais e profissionais da comunicação social. A medida, divulgada esta quarta-feira, insere-se na estratégia mais ampla do Governo norte-americano para reduzir não apenas a imigração ilegal, mas também o acesso à imigração legal.
Atualmente, os estudantes estrangeiros nos Estados Unidos podem permanecer no país enquanto mantiverem vínculo ativo com universidades ou instituições de ensino e investigação. Com a nova proposta, esse regime de flexibilidade deixaria de existir, sendo substituído por um prazo fixo de quatro anos.
Já para os jornalistas estrangeiros, cujos vistos podem estender-se atualmente até dez anos, a alteração seria ainda mais drástica: passariam a ter uma duração máxima de 240 dias. No caso de cidadãos chineses, a limitação seria ainda mais restritiva, de apenas 90 dias.
Segundo a proposta, as novas regras obrigariam estes grupos a apresentar pedidos de prorrogação com maior frequência, dificultando a permanência prolongada no país e aumentando a burocracia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China reagiu de imediato, criticando duramente a proposta norte-americana. Pequim acusou Washington de adotar “práticas discriminatórias contra países específicos”, numa resposta que acentua as tensões já existentes entre os dois países.
De acordo com dados oficiais de 2024, os Estados Unidos tinham cerca de 1,6 milhões de estudantes estrangeiros com vistos F ativos. No mesmo ano, foram ainda concedidos 355 mil vistos de intercâmbio cultural e cerca de 13 mil vistos para membros da comunicação social.
A Administração Trump justifica as mudanças como uma forma de reforçar a capacidade de “monitorizar e supervisionar” os titulares de vistos durante o período em que permanecem em território norte-americano.
Em paralelo com esta proposta, os Serviços de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) anunciaram, num memorando datado de 22 de agosto, que vão retomar as visitas domiciliárias a candidatos à cidadania norte-americana. O objetivo é recolher informações junto das suas vizinhanças para avaliar o “caráter moral e o empenho nos ideais americanos” dos requerentes.
Esta dupla ofensiva, tanto no âmbito da imigração legal como na naturalização, reflete a linha dura da Administração Trump em matéria de imigração e permanência de estrangeiros nos Estados Unidos.














