Criticado por alguns pelo seu desconforto, o sistema Start and Stop, embora aparentemente benéfico de uma perspetiva ambiental e energética, está agora na mira da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, sob a liderança de Lee Zeldin, próximo de Donald Trump.
Lee Zeldin, recentemente nomeado chefe da EPA pela Administração Trump, causou polémica ao anunciar, na rede social ‘X’, a sua intenção de “consertar” o sistema Start-Stop, afirmando que “toda a gente o odeia” e que, portanto, pretendia “consertar a situação”. Uma afirmação lapidar, mas não sem consequências para uma tecnologia integrada em mais de 60% dos veículos novos vendidos nos EUA. Na Europa, mais de 90% dos carros vendidos são equipados com esse dispositivo.
Start/stop technology: where your car dies at every red light so companies get a climate participation trophy. EPA approved it, and everyone hates it, so we’re fixing it. pic.twitter.com/zFhijMyHDe
— Lee Zeldin (@epaleezeldin) May 12, 2025
Uma tecnologia que nunca foi imposta
O dispositivo Start-Stop desliga automaticamente o motor quando o carro está parado e reinicia-o assim que o motorista solta o pedal do travão ou pressiona a embraiagem. Este sistema aparentemente simples ajuda a reduzir o consumo de combustível e as emissões de CO2 nas cidades.
Na Europa, como nos EUA, este sistema não é obrigatório. O seu uso generalizado na verdade decorre de créditos de carbono concedidos pela EPA aos fabricantes que o integram nos seus veículos. Nos EUA, em 2016, apenas 9% dos carros novos estavam equipados com eles. Essa taxa subiu para 60% em 2022. Segundo relatório interno da Agência, esse sistema permitiu uma redução média de emissões de mais de 2 gramas de CO2 por km percorrido em toda a frota em circulação.
Economia real
Ao mesmo tempo, vários estudos independentes atestam a eficácia do Start-Stop. Segundo a Edmunds, cada carro que utiliza esse sistema alcança uma economia média de combustível de 9%. Da mesma forma, a Agência Canadiana de Recursos Nacionais observou uma redução no consumo entre 4% e 10% nas áreas urbanas. Na Europa, os números são bastante semelhantes, com testes de homologação a mostrarem que o Start-Stop reduz o consumo de combustível de entre 5 e 10% na cidade, ou uma economia de 0,4 a 1,2 l/100 km.
O problema é que o ataque a esse sistema Start-Stop não faz parte de uma abordagem técnica, mas sim de uma lógica política mais ampla de desmantelamento de medidas ambientais federais nos EUA. Desde março de 2025, a EPA revogou 31 regulamentações e cerca de 20 mil milhões de dólares em subsídios destinados ao combate à crise climática. Lee Zeldin chegou a estimar que essas ações permitirão “reduzir o custo de vida, revitalizar a indústria automobilística e restaurar a soberania energética dos Estados Unidos”.





