A Suíça está a reavaliar o papel dos cerca de 8 mil bunkers espalhados pelo seu território, muitos dos quais se encontram inativos desde a década de 1990. Face às crescentes preocupações com a segurança na Europa, sobretudo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o exército suíço quer transformar estes antigos abrigos militares em modernos núcleos de defesa com tecnologia de ponta e soluções de baixo custo.
Construídas originalmente para proteger pontos estratégicos como os Alpes e a linha ferroviária de Gotthard, estas fortificações faziam parte do chamado Reduto Nacional Suíço — uma vasta rede de defesa criada para repelir invasões durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria. Embora muitas tenham sido equipadas, na altura, com armamento sofisticado contra potenciais ataques soviéticos, a sua relevância estratégica diminuiu após o fim da Guerra Fria. Com cortes orçamentais e novas prioridades de defesa, dezenas destas estruturas foram vendidas a privados.
Ao longo dos últimos anos, os novos proprietários encontraram utilizações inusitadas para os bunkers abandonados: desde caves de queijo e galerias de arte, a hotéis de luxo, cofres para criptomoedas — como o conhecido “Swiss Fort Knox” no cantão de Berna — e centros de armazenamento de dados de alta segurança.
Contudo, em 2023, o exército suíço suspendeu todas as vendas de bunkers. “Temos de aproveitar os recursos que já temos”, afirmou o Chefe do Exército Suíço, Thomas Süssli, à comunicação social local. “A natureza das ameaças mudou. Muitos destes bunkers estão mal posicionados e os sistemas de armamento que albergam só durarão mais dez ou vinte anos”, acrescentou.
O objetivo das Forças Armadas é transformar estas estruturas em “nós de defesa difíceis de atacar”, recorrendo a tecnologia avançada, mas garantindo que os investimentos sejam sustentáveis e que as estruturas exijam pouca mão-de-obra. Para isso, o exército está a recorrer ao setor privado, convidando empresas tecnológicas, universidades, investigadores e startups a proporem soluções inovadoras para reaproveitar os espaços.
A iniciativa culminará num “dia da inovação” a realizar-se em meados de setembro, organizado pela Sociedade Suíça para a Tecnologia e Forças Armadas (STA), onde serão divulgados mais pormenores e os participantes poderão apresentar propostas. “Estamos à procura de ideias de todos os sectores, não apenas do setor da defesa”, destacou a STA, citada pelos media locais.






