Sol regista duas fortes explosões com três dias de diferença: o que está a acontecer na nossa estrela e que consequências terá na Terra?

Explosões e ejeções, bem como tempestades solares, são normais nesta época do ciclo solar

Francisco Laranjeira
Agosto 8, 2023
16:18

O Sol tem registado um ritmo frenético de atividade no último ano – as erupções solares e as tempestades começaram a tornar-se uma constante no clima espacial. O último, duas explosões classe X, os mais altos do género, decorreram apenas com três dias de diferença.

A primeira, explicou a NASA em comunicado, decorreu a 2 de julho, pela tarde, com uma classificação X1.0 (a classe X indica que se trata de uma explosão mais intensa, numa escala de 1 a 5; enquanto o número dá informações sobre a sua força, podendo ir até 10). Três dias volvidos, outra explosão no mesmo local, desta feita da classe X1.6. Esta última causou uma ejeção de massa coronal – um fenómeno que ocorre quando a atividade solar projeta um jato de partículas carregadas para fora -, que foi ‘reforçado’ posteriormente, fundindo-se num único, que atingiu a Terra esta terça-feira, na forma de uma tempestade solar. O mesmo fenómeno – conhecido como ‘canibal CME’ – foi registado em meados de julho e os especialistas concordam que não serão os únicos que veremos.

Mas são estes fenómenos naturais?

Explosões e ejeções, bem como tempestades solares, são normais nesta época do ciclo solar. Porque as estrelas são carregadas eletricamente. Quando essa carga elétrica se move, gera poderosos campos magnéticos. A cada 11 anos, esse campo magnético inverte-se: os polos trocam de posição, regressando ao seu lugar 11 anos volvidos. Nestes ciclos, há um máximo e um mínimo solar, em que a atividade do astro aumenta ou diminui.

Este máximo solar foi previsto para 2025, embora muitos cientistas acreditem que será antecipado para o final deste ano, devido ao grande número de manchas na superfície do Sol. E assim, chegando ao pico de atividade, sentiremos os efeitos -assim, 2024 promete ser um ano repleto de fenómenos solares.

E que consequências trazem para a Terra?

Na Terra, o mais comum é sentir-se através da aurora boreal, a luminescência colorida no céu causada pela interação dessas partículas carregadas enviadas pela nossa estrela na nossa atmosfera. É comum perto dos polos uma vez que o campo magnético é mais fraco nesses pontos. No entanto, com tempestades solares mais fortes, o nosso campo magnético deforma-se ainda mais, fazendo com que seja possível assistir a aurora boreais em locais onde não são comuns.

Em eventos mais extremos, pode haver danos nas radiocomunicações, danos nas redes elétricas terrestre e até mesmo colocar satélites fora de ação – a SpaceX informou recentemente que 40 dos seus satélites foram literalmente ‘fritos’ por uma tempestade solar. No entanto, os cientista apelam à tranquilidade. “Não te preocupes mas prepara-te. É para isso que serve a ciência. Não podemos controlar a natureza mas podemos entendê-la. Missões como a ‘Solar Orbiter’ ajudam-nos a refinar os modelos e entender melhor o que está a acontecer com esses ciclos solares, que ainda não entendemos completamente”, precisou Javier Rodríguez-Pacheco, professor de astronomia e astrofísica da Universidade de Alcalá, em Madrid, ao jornal espanhol ‘ABC’.

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