Sem contrato e a trabalhar 12 horas por dia: Como é feita a roupa na Shein, a ‘Amazon chinesa’?

A marca já é sinónimo da política dos três b´s: “bom, bonito e barato”, mas levanta dúvidas sobre as condições de trabalho de seus fornecedores.

Filomena Nascimento
Janeiro 18, 2022
12:57

A organização suíça Public Eye publicou uma ampla investigação sobre os fornecedores da plataforma. Segundo a entidade, os trabalhadores são pagos por produção e sem contrato formal, e estão habituados a exercer funções cerca de 12 horas por dia.

Foi com a pandemia que o marketplace chinês de roupas Shein aumentou o seu público, na sua maioria jovens de 20 e poucos anos, a chamada Geração Z. As compras na Internet dispararam e a marca já é conhecida como “bom, bonito e barato”, conquistando mercados mundo afora com a mesma velocidade que desperta dúvidas sobre as condições de trabalho dos seus colaboradores.

Nos últimos meses, uma série de reportagens e relatórios internacionais têm vindo a denunciar problemas na cadeia produtiva da empresa, toda instalada na China. No mais recente deles, a organização suíça Public Eye, publicou uma ampla investigação sobre os fornecedores da plataforma. Segundo a entidade, trabalhadores são pagos por produção e sem contrato formal.

Carlos Juliano Barros, da ´uol economia`, escreveu um artigo onde conta que marcas conhecidas, como H&M e Zara, encurtaram a distância (e o tempo) entre desfiles de moda e consumidores comuns. “Em menos de um mês, conseguem produzir peças de design arrojado a preços acessíveis. Por isso, são chamadas de fast fashion”. A Shein já entrou com força no setor e a um ritmo veloz. A inspiração, vem agora das redes sociais e o prazo para a confeção das roupas acelerou: são concebidas e fabricadas em apenas uma semana.

A ´uol Brasil`, tentou falar com a marca mas esta não tem assessoria de imprensa no Brasil, obtendo alguns comentários através do e-mail da direção da empresa. A nota afirma que “o código de conduta exige que os fabricantes atendam a regulações ambientais locais e a padrões trabalhistas internacionais”. Acrescenta ainda que a Shein, monitoriza periodicamente os seus fornecedores e já pediu à Public Eye informações sobre as fábricas com problemas por forma a realizar uma auditoria e tomar as medidas que considera oportunas.

Ainda assim, salienta-se que até ao momento esta é uma das marcas mais conhecidas dentro do setor que opera, tendo atualmente um modelo de negócio inovador e bem-sucedido. O mesmo já não se pode dizer das suas políticas de responsabilidade social.

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