Sarda, mancha do sol ou sinal? Saiba as diferenças e se deve ficar preocupado, segundo especialistas

Um novo ponto castanho na pele pode suscitar dúvidas: será uma sarda, uma mancha solar ou um sinal? A diferença entre estas três formações cutâneas nem sempre é evidente, mas pode ser determinante para a saúde da pele.

Pedro Gonçalves
Março 29, 2025
11:00

Um novo ponto castanho na pele pode suscitar dúvidas: será uma sarda, uma mancha solar ou um sinal? A diferença entre estas três formações cutâneas nem sempre é evidente, mas pode ser determinante para a saúde da pele. Especialistas da Southern Cross University explicam como identificar cada uma e em que situações se deve procurar um médico. Os conselhos foram publicados na revista “The Conversation” por Mike Climstein, Jeremy Hudson, Michael Stapelberg e Nedeljka Rosic.

Sardas: pequenas manchas inofensivas ligadas à genética e à exposição solar

As sardas, cientificamente conhecidas como epelides, são pequenas manchas planas e castanho-claras que aparecem sobretudo em pessoas de pele clara, cabelo ruivo ou louro. Estes indivíduos têm uma maior probabilidade de possuir o gene MC1R, que contribui para o surgimento das sardas.

A sua origem está na exposição solar: quando a luz ultravioleta atinge a pele, as células chamadas melanócitos produzem melanina, o pigmento que confere cor à pele. No caso das pessoas propensas a sardas, essa melanina não se distribui uniformemente, formando aglomerados que dão origem às manchas características.

As sardas surgem com mais evidência na infância e podem desvanecer-se com o passar dos anos, especialmente se a exposição solar diminuir. Como produção de melanina tende a reduzir com a idade, muitas sardas acabam por se atenuar. No entanto, são um indicador de que a pessoa pode ter maior risco genético de desenvolver cancro da pele.

Manchas solares: marcas causadas pela exposição solar prolongada

As manchas solares, também conhecidas como manchas de idade ou queratoses actínicas, resultam de anos de exposição solar. São maiores do que as sardas, podendo atingir o tamanho de uma moeda pequena, e aparecem normalmente em áreas expostas ao sol, como o rosto, as mãos, os ombros e os braços.

Ao contrário das sardas, as manchas solares não desaparecem com o tempo e podem mesmo escurecer se a exposição solar continuar. Algumas pessoas optam por removê-las por razões estéticas, recorrendo a lasers, peelings químicos ou cremes prescritos.

Embora as manchas solares não sejam perigosas por si só, indicam uma maior propensão para desenvolver cancro da pele na área afectada. Além disso, melanomas de crescimento lento podem inicialmente assemelhar-se a estas manchas, pelo que é fundamental estar atento a quaisquer mudanças no tamanho, formato ou cor.

Sinais: podem ser inofensivos ou representar um risco de melanoma

Os sinais (ou nevos) são pequenas formações cutâneas, muitas vezes escuras e ligeiramente elevadas, que podem aparecer em qualquer parte do corpo. Algumas pessoas nascem com sinais, mas a maioria desenvolve-os ao longo da infância, adolescência e início da idade adulta. Os sinais podem aumentar de tamanho e novos podem surgir, especialmente durante a gravidez ou outras fases de alterações hormonais.

Em média, um adulto tem entre 10 a 40 sinais no corpo. Ter mais de 50 indica uma contagem elevada, enquanto mais de 100 representa um risco ainda maior.

Os sinais formam-se quando os melanócitos crescem em grupos, em vez de se espalharem uniformemente pela pele. Alguns sinais são planos, enquanto outros são elevados. Os chamados nevos compostos combinam partes planas e elevadas, enquanto os nevos dermais, de tom acastanhado claro, são sempre salientes.

A maioria dos sinais é benigna, podendo alguns ter pêlos ou mesmo desaparecer com o tempo. No entanto, alguns podem transformar-se em melanoma, o tipo mais perigoso de cancro da pele.

Quando procurar um médico?

Enquanto as sardas e manchas solares são essencialmente inofensivas, os sinais requerem uma monitorização mais atenta. Se um sinal apresentar alterações de tamanho, forma, cor ou textura, é aconselhável consultar um médico.

Os especialistas recomendam a regra ABCDE para identificar possíveis cancros de pele:

  • Assimetria: se uma metade do sinal é diferente da outra;
  • Bordas: se são irregulares, serrilhadas ou mal definidas;
  • Cor: se tem várias tonalidades ou muda de cor repentinamente;
  • Diâmetro: se é maior do que 6 mm (aproximadamente o tamanho de uma borracha de lápis);
  • Evolução: se altera de tamanho, forma ou cor, ou se causa comichão ou sangramento por mais de algumas semanas.

Um estudo conduzido pelos autores revelou que apenas 21,7% das pessoas conseguem identificar corretamente um melanoma sem ajuda médica, o que reforça a importância das avaliações dermatológicas regulares.

Como prevenir danos na pele?

Dado que as sardas, manchas solares e alguns sinais estão ligados à exposição solar, há medidas essenciais para proteger a pele:

  • Evitar a exposição ao sol durante as horas de maior incidência de radiação ultravioleta;
  • Aplicar protetor solar com fator de proteção 50 todos os dias, mesmo quando está nublado, reaplicando a cada duas horas;
  • Usar roupa protetora, como chapéus de abas largas para proteger o rosto, pescoço e orelhas, e camisolas de manga comprida para cobrir os braços.
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