A próxima cimeira entre o presidente Donald Trump e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, está a ser utilizada pelo Kremlin para dividir os EUA da Europa sobre a guerra na Ucrânia, alertou esta terça-feira o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). Os aliados europeus da Ucrânia têm feito diversos avisos sobre as suas preocupações de que as negociações desta sexta-feira no Alasca possam dar uma vantagem ao presidente russo.
Segundo o think tank sediado em Washington, DC, as autoridades russas querem enfraquecer a coesão entre os EUA, Ucrânia e Europa, promovendo os dois últimos como barreiras a um acordo para o fim da guerra.
Kiev e os seus aliados temem que o presidente russo não esteja interessado em qualquer acordo, dado que não recuou nos seus objetivos de subjugar totalmente a Ucrânia. Isto é especialmente pertinente tendo em conta que há notícias de que os EUA estão a propor a troca de terras parcialmente ocupadas por Moscovo em troca da paz, o que Volodymyr Zelensky rejeitou.
Putin recusou o cessar-fogo proposto pelos EUA, apoiado pela Ucrânia, exigindo que Kiev renuncie à filiação na NATO e retire as tropas das regiões parcialmente ocupadas de Donetsk, Lugansk, Zaporizhia e Kherson como pré-condições para a paz. Nas negociações do Alasca, Trump e Putin vão discutir uma proposta de cessar-fogo que envolve Kiev a ceder territórios orientais à Rússia, algo que a Ucrânia recusou, alertando que isso permitiria a Moscovo reagrupar-se e atacar novamente. Mas também a Europa se oporia a esse acordo, o que Moscovo vai capitalizar para tornar o Velho Continente numa barreira à paz.
O politólogo russo Sergei Markov disse ao ‘The Washington Post’ que o principal interesse da Rússia na cimeira é retratar a Ucrânia e a Europa, e não a Rússia, como obstáculos a um acordo. Mas qualquer acordo será muito provavelmente violado pela Rússia, que culpará a Ucrânia pelas violações, como fez repetidamente na primavera de 2025, acrescentou o ISW.














