Putin avança com teste de míssil nuclear “invencível” enquanto prepara cimeira com Trump sobre a Ucrânia

Presidente russo garantiu que a arma — apelidada de SSC-X-9 Skyfall pela NATO — é “invencível” para as defesas de mísseis atuais e futuras, com um alcance quase ilimitado e uma trajetória de voo imprevisível

Francisco Laranjeira
Agosto 14, 2025
10:58

A Rússia parece estar a preparar-se para testar o seu novo míssil de cruzeiro com armas e propulsão nucleares, denunciaram dois investigadores americanos e uma fonte de segurança ocidental à agência ‘Reuters’, numa altura em que Vladimir Putin se prepara para conversações sobre a Ucrânia com Donald Trump, esta sexta-feira, no Alasca.

Segundo Jeffrey Lewis, do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, sediado na Califórnia, e Decker Eveleth, da organização de investigação e análise CNA, sediada na Virgínia, as confirmações dos novos testes chegaram do estudo de imagens tiradas nas últimas semanas – e até terça-feira – pela Planet Labs.

As imagens mostraram uma atividade extensiva no local de testes de Pankovo, no arquipélago de Novaya Zemlya, no Mar de Barents, incluindo o aumento de pessoal, equipamento, navios e aviões associados aos testes anteriores do 9M730 Burevestnik.

“Podemos ver toda a atividade no local de testes, que inclui tanto enormes quantidades de mantimentos a chegar para apoiar as operações como a movimentação no local onde realmente lançam o míssil”, afirmou Lewis, salientando que poderá ocorrer um teste ainda esta semana, levantando a possibilidade de ofuscar a cimeira Trump-Putin no Alasca.

O presidente russo garantiu que a arma — apelidada de SSC-X-9 Skyfall pela NATO — é “invencível” para as defesas de mísseis atuais e futuras, com um alcance quase ilimitado e uma trajetória de voo imprevisível. Para os especialistas militares, o desenvolvimento do míssil ganhou mais importância para Moscovo desde o anúncio de Donald Trump para a criação de um Golden Dome nos EUA.

No entanto, o entusiasmo de Putin sobre o míssil pode não ser justificado: segundo os especialistas, não é ainda claro se o míssil conseguirá escapar às defesas, não dará a Moscovo capacidades que ainda não possui e espalhará radiação ao longo da sua trajetória de voo.

O teste já tinha sido agendado, mas Putin poderia ter suspendido os preparativos devido à presença de satélites espiões americanos para sinalizar a sua abertura para pôr fim à guerra na Ucrânia, bem como para retomar as negociações sobre o controlo de armas com os EUA, disseram os especialistas.

O Burevestnik tem um mau historial em testes, de acordo com o grupo de defesa ‘Nuclear Threat Initiative’, com dois sucessos parciais entre 13 testes conhecidos.

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