PS enfrenta crise financeira e ‘aperta o cinto’ após perda de um milhão de euros nas subvenções

A queda resulta do fraco desempenho eleitoral nas legislativas de 18 de maio, em que os socialistas perderam mais de 365 mil votos e viram a sua representação parlamentar encolher de 78 para 58 deputados.

Executive Digest
Junho 2, 2025
10:46

O Partido Socialista está a enfrentar um cenário financeiro apertado, com cortes orçamentais significativos e possíveis rescisões no grupo parlamentar, depois de perder mais de um milhão de euros em subvenções públicas anuais. A queda resulta do fraco desempenho eleitoral nas legislativas de 18 de maio, em que os socialistas perderam mais de 365 mil votos e viram a sua representação parlamentar encolher de 78 para 58 deputados.

“Vamos ter menos dinheiro para pagar salários”, admite à Rádio Renascença um membro da atual direção nacional do PS, que sublinha a necessidade de “ajustar a despesa de funcionários” e de ser “mais seletivo nos gastos do partido”. A redução da subvenção pública para o partido desce agora para 4,8 milhões de euros anuais, enquanto o financiamento do grupo parlamentar encolhe para cerca de 1,63 milhões de euros – menos meio milhão em comparação com o ano anterior.

Com menos deputados, a verba mensal atribuída ao grupo parlamentar caiu de 178.750 euros para 136.372 euros, o que dificulta a manutenção da atual estrutura de recursos humanos. “Onde há secretárias para 120 deputados não há necessidade para 58”, sintetiza um dirigente socialista. A situação é descrita como “dramática” por alguns membros do partido, que antecipam cortes e eventuais rescisões tanto no Largo do Rato como no Parlamento.

Durante a liderança de Pedro Nuno Santos, a então presidente da bancada parlamentar, Alexandra Leitão, opôs-se a quaisquer despedimentos, mas a nova direção reconhece que as consequências são inevitáveis. “Como é que um elefante cabe num carro? Com dificuldade”, comentou um dirigente do secretariado nacional, ilustrando os constrangimentos financeiros atuais.

A crise financeira socialista é agravada pelo facto de o partido depender praticamente apenas de duas fontes de receita: as quotas dos militantes e as subvenções estatais. As contribuições dos militantes mantêm-se inalteradas há vários anos, e os donativos têm vindo a cair. “Há duas maneiras de se recuperar: gastar menos ou aumentar receitas, através de donativos”, refere uma fonte da direção, acrescentando que o esforço poderá passar por exigir um maior contributo financeiro aos eleitos do partido.

Com as eleições autárquicas no horizonte, o cenário torna-se ainda mais exigente. As candidaturas do PS dependem dos resultados das autárquicas de 2021 e das legislativas de 2024 para obter apoio da sede nacional. Contudo, a ponderação do impacto do Chega nas próximas autárquicas ainda não foi revista, apesar do crescimento expressivo desse partido nas legislativas de 2025. “É preciso que as candidaturas moderem os gastos” e sejam “mais conservadoras”, aconselha um dirigente socialista, consciente de que muitas campanhas já estão no terreno.

A dificuldade em adequar os orçamentos de campanha é um problema transversal. “As verbas são muito insuficientes”, denuncia um presidente de federação do PS, sublinhando que “não é exequível mexer no que já está orçamentado”. Entre a instalação de outdoors e os contratos com agências de comunicação, só o arranque de uma campanha pode custar entre 30 a 40 mil euros. “O orçamento interno está rés vés, campo de Ourique”, resume um dirigente, revelando as dificuldades de um partido que, mesmo como segunda força política, enfrenta agora um dos seus maiores desafios financeiros em anos.

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