O número de homicídios registados em Portugal desde janeiro até meados de agosto já quase iguala o total contabilizado em todo o ano passado. Até esta segunda-feira, foram cometidos 84 crimes de homicídio doloso consumado, quando em 2024 tinham sido registados 89 casos. Só nos últimos 15 dias ocorreram seis mortes violentas de norte a sul do país, incluindo a execução de um homem de 72 anos em Sines, ocorrida na manhã de ontem.
De acordo com dados da Polícia Judiciária (PJ), citados pelo Jornal de Notícias, entre o início do ano e 31 de julho tinham já sido abertos 78 inquéritos, aos quais se juntam os seis homicídios registados em agosto, elevando o total para 84. Os números confirmam uma tendência preocupante, uma vez que o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2024 já apontava para uma estabilização em valores elevados: 89 homicídios no ano passado e 90 em 2023. Segundo o mesmo relatório, 23 crimes de 2024 ocorreram em contexto de violência doméstica, com armas de fogo e armas brancas a serem os meios mais utilizados.
O caso mais recente aconteceu em Sines, por volta das 9 horas de segunda-feira, junto ao Mercado Municipal. A vítima, identificada como Florival Pereira, de 72 anos, explorava um café em Porto Covo e foi surpreendida dentro da sua viatura por um homem armado com uma caçadeira. O agressor, de 65 anos, aproximou-se da janela do condutor e disparou em modo de execução, provocando-lhe a morte imediata.
O homicídio gerou pânico entre comerciantes e clientes, já que o atirador terá ainda tentado entrar no mercado com a arma na mão, mas acabou por regressar ao carro e fugir do local. A rápida intervenção da GNR permitiu identificar o suspeito através de testemunhas e montar uma operação policial que culminou na sua detenção, perto da praia de São Torpes, cerca das 11 horas. O homem estava ao telefone com a filha, que o tentava convencer a entregar-se, e acabou algemado sem resistência, tendo consigo a caçadeira usada no crime.
Inicialmente, as autoridades investigaram a possibilidade de se tratar de uma desavença de trânsito, mas a PJ viria a afastar essa hipótese ainda durante a tarde, concluindo que o homicídio terá resultado de um ajuste de contas motivado por questões passionais. Vítima e agressor conheciam-se.
O suspeito foi entregue à Polícia Judiciária de Setúbal e deverá hoje ser presente a tribunal para aplicação de medidas de coação. A escalada de homicídios em 2025, com números que praticamente igualam o total do ano anterior ainda antes de setembro, está a gerar preocupação entre as autoridades e reforça o alerta para fenómenos de violência letal que continuam a marcar o país.














