A Europol anunciou, esta quarta-feira, a colaboração com as autoridades portuguesas e espanholas numa operação contra membros de uma rede criminosa, constituída principalmente por cidadãos russos, que prestavam serviços de branqueamento de capitais a outros bandos sediados na União Europeia – desde o início da investigação, já tinha branqueado mais de um milhão de euros.
A ação policial ocorreu no passado dia 21 em Espanha – Madrid, Málaga, Marbella, Torremolinos, Coín e Ayamonte – e em Lisboa, da responsabilidade da Polícia Judiciária. No total, foram registadas 14 detenções, na sequência de nove buscas domiciliárias, assim como a apreensão de mais de um milhão de euros em dinheiro e criptomoedas.
Em comunicado, a Europol salientou que “os suspeitos operavam principalmente em Espanha, utilizavam o método Hawala para movimentar o dinheiro proveniente principalmente do tráfico de droga e branqueavam os fundos recolhidos com base nas redes das suas próprias empresas. Os investigadores acreditam que o bando realizava transações diárias em dinheiro, chegando ocasionalmente a atingir os 300 mil euros por dia”.
“Os grupos de criminalidade organizada mais perigosos levam a cabo complexos esquemas de branqueamento de capitais para dissimular os seus lucros ilegais, como no caso em apreço. Para combater com êxito estes principais criminosos, a Europol está a colocar mais ênfase na investigação de alvos de elevado valor, nas investigações financeiras e na recuperação de bens”, apontou.
O grupo atuava sobretudo em Espanha, onde tinha vários escritórios com caixas fortes de segurança geridos por caixeiros, que movimentavam diariamente cerca de 300 mil euros em numerário, com um protocolo que incluía a emissão de recibos da operação para os chefes da organização russa.
Os clientes da rede agora desmantelada eram “as organizações criminais albanesa, sérvia, arménia, chinesa, ucraniana, colombiana” e da Mocro Máfia, ligada aos Países Baixos, precisou, em comunicado, a Polícia Nacional de Espanha.
“A organização cobrava aos seus “clientes” uma percentagem de cada quantia movimentada, que oscilava entre dois e três por cento do dinheiro branqueado”, acrescentou.
De acordo com a Polícia Judiciária (PJ), os suspeitos “utilizavam intermediários para movimentar o dinheiro (método “Hawala”), obtido sobretudo através do tráfico de droga, recorrendo às suas próprias redes de empresas para branquear os fundos arrecadados”.














