Pico solar está adiantado um ano: evento ‘terminator’ a caminho da Terra

Fenómeno que acontece quando o ciclo solar habitual — que dura 11 anos — termina abruptamente, muda a polaridade da estrela e o novo ciclo começa com mais intensidade

Francisco Laranjeira
Junho 14, 2023
10:51

A atividade do Sol aumentou nos últimos meses e o ponto máximo do seu ciclo de vida, previsto para meados de 2025, parece estar adiantado para este ano. A 23 de abril último, as luzes do norte puderam ser vistas em latitudes muito baixas, já perto do equador da Terra, muito longe do ambiente polar. “Simplesmente, é devido a uma das maiores tempestades magnéticas ocorridas nos últimos anos, causada por um filamento solar”, indicou Consuelo Cid Tortuero, investigadora da Universidade de Alcalá de Henares e cientista principal do National Space Weather Service (SeNMEs), em declarações ao jornal espanhol ‘El País’.

De acordo com o físico Scott W. McIntosh, diretor do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR) dos Estados Unidos, o pico solar parece ter sido antecipado num ano – tudo indica que chegará no final de 2023 ou início de 2024, o que significaria um “evento ‘terminator'”, um fenómeno que acontece quando o ciclo solar habitual — que dura 11 anos — termina abruptamente, muda a polaridade da estrela e o novo ciclo começa com mais intensidade. Quando um ciclo solar termina e o próximo começa, o Sol pode experimentar enormes colisões do campo magnético que resultam em gigantescos ‘tsunamis de plasma’ na superfície do sol durante semanas.

Consuelo Cid Tortuero referiu ainda que estamos “no caminho” para um pico solar. “O pior é a parte descendente do ciclo, que é quando há muitos filamentos no Sol”, sustentou a especialista – os filamentos são protuberâncias que podem ejetar material solar para o espaço, o que podem representar um perigo se estiverem orientados para a Terra.

Já o geofísico Joan Miquel Torta sublinhou que o ciclo solar mais ativo do que o esperado para a época era como habitar “numa zona sísmica”: “Pode haver mais atividade mas que nem todos os eventos são críticos”, tranquilizou o especialista, do Observatório do Ebro (CSIC). Em 2012, por exemplo, foi observada uma poderosa ejeção solar, que não chegou à Terra.

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