“Os impérios estão a contra-atacar”: Investidores atentos encontram valor nos gigantes tradicionais da cloud

A narrativa dominante no setor tecnológico, que dava como garantido o domínio dos novos players nativos da cloud, está a ser contrariada pelos gigantes tradicionais de software. Empresas como a Oracle e a SAP, muitas vezes vistas como incumbentes em declínio, têm vindo a recuperar protagonismo na transição para a cloud, criando novas oportunidades para investidores ativos.

Fábio Carvalho da Silva e André Mendes
Setembro 5, 2025
9:18

A narrativa dominante no setor tecnológico, que dava como garantido o domínio dos novos players nativos da cloud, está a ser contrariada pelos gigantes tradicionais de software. Empresas como a Oracle e a SAP, muitas vezes vistas como incumbentes em declínio, têm vindo a recuperar protagonismo na transição para a cloud, criando novas oportunidades para investidores ativos.

Segundo Paddy Flood, Portfolio Manager e Global Sector Specialist em Tecnologia da Schroders, “a distância entre os disruptores e os incumbentes reduziu-se significativamente”, com Oracle e SAP a registar crescimentos comparáveis – e, em alguns casos, superiores – aos das empresas de Software como Serviço (SaaS) que antes lhes retiravam quota de mercado.

Nos últimos 15 anos, companhias como Salesforce e Workday transformaram a forma como o software empresarial é consumido, impondo o modelo SaaS assente em subscrição, escalabilidade e acesso remoto. Durante esse período, os modelos tradicionais de licenciamento e operação própria de data centers foram considerados ultrapassados, o que levou muitos analistas a anteciparem o declínio estrutural dos líderes históricos do setor.

Contudo, esse consenso foi posto em causa. A SAP migrou a sua suite de ERP para um modelo cloud-first e expandiu o portefólio através de aquisições, enquanto a Oracle reconstruiu a sua oferta de bases de dados e aplicações para a cloud, além de investir fortemente em infraestrutura.

“O mercado subestimou a resiliência e a capacidade de adaptação destes incumbentes. Hoje, já não estão na defensiva e começam a beneficiar da durabilidade das suas relações com os clientes e da solidez da execução”, sublinha Paddy Flood.

Para a Schroders, esta evolução é também uma lição para os investidores: nem todas as transições tecnológicas ditam o desaparecimento dos incumbentes. Em áreas com fortes barreiras à entrada e elevados custos de mudança, como o software empresarial, empresas estabelecidas podem não só resistir como reforçar a sua posição.

“Os impérios estão a contra-atacar – e, ao fazê-lo, podem oferecer oportunidades negligenciadas para investidores de longo prazo”, conclui Flood.

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