Oropouche: Doença que já matou no Brasil chegou à Europa e preocupa autoridades. Contam-se 19 casos importados num mês

A febre Oropouche, uma doença transmitida por mosquitos, atingiu a Europa pela primeira vez, levando a um aumento significativo nas preocupações sobre a propagação deste vírus e suas implicações para a saúde pública.

Pedro Gonçalves
Agosto 12, 2024
12:58

A febre Oropouche, uma doença transmitida por mosquitos, atingiu a Europa pela primeira vez, levando a um aumento significativo nas preocupações sobre a propagação deste vírus e suas implicações para a saúde pública. Numa altura em que a presença do mosquito responsável pela transmissão da dengue e do zika foi detetado em várias regiões portuguesas, assim como em outros pontos da Europa onde antes nunca havia sido encontrado, a deteção de casos de Oropouche no continente veio fazer soar os alarmes das autoridades de saúde.

Este desenvolvimento surge após relatos de mortes associadas ao vírus no Brasil, o que levanta temores de um surto potencialmente “incontrolável” no continente europeu, alertam especialistas.

A febre Oropouche, que já causou mais de 8.000 casos na América Latina, tem gerado um crescente alarme global. No Brasil, onde foram registradas as primeiras mortes relacionadas ao vírus, duas mulheres jovens faleceram devido à doença. As vítimas, com idades de 21 e 24 anos, apresentaram dor abdominal intensa, sangramentos e hipotensão antes de morrerem a 25 de julho.

Os sintomas da febre Oropouche são semelhantes aos da dengue, incluindo dores de cabeça, febre alta, dores musculares, rigidez nas articulações, náuseas, vômitos, resfriados e fotofobia.

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), um alerta foi emitido na passada sexta-feira, destacando a necessidade urgente de precauções para os cidadãos que residem ou viajam para áreas de risco. O relatório do ECDC sublinha que, apesar dos primeiros casos terem sido identificados na Europa, o inseto vetor da febre Oropouche, o Culicoides paraenses (também conhecido como mosquito-pólvora), não está presente no continente europeu. As autoridades recomendam o uso de repelentes, roupas de mangas longas e calças para minimizar o risco de infeção.

Os números na América Latina indicam uma alta incidência de casos, com o Brasil liderando o número de infeções, seguido por Bolívia, Colômbia, Peru e Cuba. Entre junho e julho de 2024, a Europa registou 19 casos importados do vírus Oropouche: 12 na Espanha, cinco na Itália e dois na Alemanha. Esses casos estão relacionados a viagens recentes para Cuba e Brasil, conforme relatado pelo ECDC. Na Itália, dois turistas que retornaram de Cuba apresentaram sintomas da doença: uma mulher de 26 anos após uma viagem à província de Ciego de Ávila, e um homem de 45 anos após uma viagem a Havana e Santiago de Cuba.

A especialista em virologia Dr.ª Concetta Castilletti, responsável pela Unidade de Virologia e Patógenos Emergentes num hospital perto de Verona, comenta ao Telegraph sobre a crescente ameaça: “Os arbovírus, como a febre Oropouche, Dengue, Zika e Chikungunya, representam uma emergência de saúde pública com a qual teremos que nos acostumar a conviver.” A especialista alertou que as mudanças climáticas e o aumento do movimento das populações humanas podem tornar vírus, que antes estavam confinados às zonas tropicais, endémicos também em latitudes mais altas.

A febre Oropouche pode causar febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos, dores musculares e nas articulações, e é particularmente perigosa para mulheres grávidas, podendo levar a abortos espontâneos, problemas de desenvolvimento e deformidades fetais. O Ministério da Saúde do Brasil alertou para o aumento do risco após o nascimento de quatro bebés com microcefalia cujas mães foram infetadas pelo vírus.

O ECDC considera o risco de infeção para cidadãos europeus que viajam para áreas epidémicas na América como “moderado”. No entanto, a exposição humana na Europa continua muito baixa, uma vez que os mosquitos e pequenos insetos que transmitem o vírus não estão presentes no continente e não há casos documentados de transmissão de pessoa para pessoa até o momento.

Ainda, a Europa tem assistido a um aumento no número de doenças transmitidas por mosquitos, como o vírus do Nilo Ocidental, com casos recentes identificados na Grécia e na Roménia, o que acentua a necessidade de vigilância e medidas preventivas eficazes.

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