Os guardas prisionais da zona de Lisboa detetaram e apreenderam, nas últimas semanas, televisões modificadas para funcionarem como telemóveis, numa tentativa de introduzir comunicação ilícita dentro das cadeias. A descoberta foi feita durante os controlos de segurança realizados à entrada dos estabelecimentos prisionais, através de equipamentos de raio-x, que revelaram alterações anómalas na composição dos aparelhos, segundo noticia o Correio da Manhã.
Os agentes de segurança estranharam a presença de componentes adicionais nas televisões, que ultrapassavam o normal padrão de fabrico destes dispositivos. Uma inspeção mais detalhada permitiu confirmar a existência de mecanismos instalados especificamente para possibilitar a realização de chamadas telefónicas. As televisões modificadas eram entregues aos reclusos como parte do seu equipamento permitido, mas escondiam funcionalidade ilícitas.
No decorrer das investigações, foi identificada uma oficina localizada na zona de Benfica, em Lisboa, especializada na modificação destes aparelhos. Segundo apurou o mesmo diário, a transformação de cada televisão tem um custo de 1500 euros, um valor significativo que evidencia a sofisticação e a procura deste tipo de serviço clandestino.
Frederico Morais, presidente do Sindicato Nacional da Guarda Prisional, confirmou as recentes apreensões e defendeu medidas mais rigorosas para evitar que estas situações se repitam. “Apenas o Estado deve entregar televisões aos reclusos”, afirmou, sublinhando a necessidade de um maior controlo sobre os bens que entram nas prisões.
A introdução de dispositivos de comunicação nas cadeias é uma preocupação constante das autoridades, uma vez que pode facilitar atividades criminosas, desde extorsões a coordenação de redes criminosas do exterior. O uso de televisões modificadas representa uma nova estratégia para contornar os mecanismos de segurança e reforça a necessidade de inspeções rigorosas e frequentes nos estabelecimentos prisionais.
Com a investigação em curso, as autoridades procuram agora identificar os responsáveis pelo funcionamento da oficina de Benfica e rastrear possíveis ligações entre os fornecedores destes equipamentos modificados e os reclusos que os tentavam receber dentro das cadeias.














