Milhares de israelitas vão sair hoje às ruas em todo o país para exigir ao Governo um acordo imediato que permita a libertação dos reféns ainda detidos na Faixa de Gaza pelo Hamas. A mobilização, organizada pelo Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos, foi anunciada como um “dia de luta nacional” contra o que consideram ser a demora deliberada na assinatura de um acordo. “Uma maioria absoluta do povo israelita quer trazer os nossos entes queridos para casa. O atraso deliberado na assinatura de um acordo vai contra a vontade do povo e contra os nossos valores fundamentais — responsabilidade mútua e solidariedade. Este é o ethos israelita, este é o nosso dever”, afirmou o Fórum em comunicado.
As manifestações vão começar logo às 6h29 da manhã, precisamente à hora em que se iniciou o ataque de 7 de outubro, com ativistas a erguerem bandeiras israelitas em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Telavive. Ao longo do dia, estão previstas concentrações em grandes cruzamentos do país, um protesto de “mães com carrinhos de bebé” na Praça dos Reféns, marchas nacionais a partir das 14h00 e, mais tarde, uma exposição de desenhos feitos por ex-reféns. Pelas 17h00, centenas de pessoas deverão voltar a reunir-se na Praça dos Reféns, em Telavive, para escrever mensagens destinadas ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e ao chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), culminando com uma marcha entre a estação ferroviária Savidor e a Praça dos Reféns, onde terminará a jornada de protestos.
Ao contrário da semana passada, em que os protestos foram acompanhados de uma greve nacional, desta vez o Fórum decidiu não convocar paralisações laborais, preferindo centrar esforços na mobilização popular. Ainda assim, a adesão espera-se expressiva, depois da participação de centenas de milhares de pessoas no domingo anterior.
Entre as vozes que deverão marcar o protesto está Hagai Angrest, pai de um dos reféns, Matan Angrest, que tem repetido: “Só posso rezar de todo o coração para que, pelo menos, o Matan tenha visto e ouvido o enorme clamor do povo por ele e por todos os reféns na semana passada. Nós, povo de Israel, não podemos cooperar com estes exercícios de evasão e devemos lembrar o primeiro-ministro da sua responsabilidade em corrigir o que foi quebrado no seu mandato. Apelamos a que se juntem a nós. O momento é agora”.
Também Einav Zangauker, mãe de Matan Zangauker, deverá reforçar o seu alerta de que “se começar uma conquista de Gaza, não haverá acordo”. E acrescenta: “Povo de Israel, temos apenas alguns dias para travar isto. Temos de forçar Netanyahu a aceitar o acordo e garantir que avança imediatamente para trazer todos de volta e acabar com a guerra”.
O protesto ocorre num momento em que permanecem 50 reféns em Gaza: 49 dos 251 sequestrados em outubro de 2023 e ainda o corpo de um soldado morto em 2014. As autoridades israelitas acreditam que 28 destes reféns já morreram, estimam que 20 continuam vivos e têm “graves preocupações” sobre o estado de mais dois.
Nas redes sociais, as famílias também se mobilizam. Vicky Cohen, mãe de Nimrod Cohen, partilhou uma fotografia a segurar uma réplica ampliada da identificação militar do filho, confessando: “Não preguei olho durante todo o fim de semana. O medo de mais uma sabotagem dos esforços por um acordo não me deixa descansar. Cidadãos de Israel, estarão ao nosso lado nos próximos dias para garantir que o acordo não é travado?”.
Já Itzik Horn, pai do refém Eitan Horn, acusa o Governo de estar “nas mãos de extremistas que veem este momento como um milagre”. E acrescenta: “Falo ao povo de Israel — vocês são a nossa esperança”.
Do lado das autoridades militares, o chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, declarou no domingo que “há um acordo em cima da mesa e Israel deve aceitá-lo”. Segundo a estação Channel 13, Zamir afirmou ainda: “As Forças de Defesa de Israel criaram as condições para um acordo, agora está nas mãos de Netanyahu”.
Na semana passada, o Hamas garantiu estar disposto a libertar metade dos reféns numa primeira fase, iniciando depois negociações para terminar a guerra e assegurar a libertação dos restantes. Netanyahu, no entanto, insiste que só aceitará um acordo que contemple a libertação de todos os reféns de uma só vez. Apesar disso, afirmou ter instruído os negociadores israelitas a manterem as conversações, ao mesmo tempo que prepara uma ofensiva militar sobre Gaza.
O Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos reafirma que Netanyahu deve aceitar de imediato o acordo já delineado, sublinhando que “empurrar para a frente com uma operação militar pode custar a vida dos reféns sobreviventes”.














