Israel planeia aprovar esta quinta-feira o plano militar faseado para assumir o controlo de novas áreas da Faixa de Gaza, principalmente na Cidade de Gaza e zonas rurais da região central. Segundo o jornal ‘The Times of Israel’, a operação pode durar entre quatro a cinco meses, sendo que obrigaria à deslocação em massa de até um milhão de palestinianos para o sul do enclave.
A reunião-chave do gabinete de segurança israelita está marcada para esta tarde, sendo expectável que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu consiga o apoio necessário para aprovar a ofensiva, apesar da oposição de alguns ministros e militares e dos alertas internos sobre o seu impacto humanitário e militar.
O plano está a ser impulsionado pelos setores mais radicais do Governo, mas encontrou divergências dentro do exército e entre as famílias dos reféns capturados pelo Hamas.
Durante uma reunião de três horas, na passada terça-feira, o chefe do Estado-Maior do Exército, tenente-general Eyal Zamir, apresentou várias opções ao Governo. A proposta que ganhou força passaria por uma evacuação prévia da população da Cidade de Gaza através de avisos formais, seguida de um avanço militar com o objetivo de “destruir o que resta do Hamas”, segundo o ‘Canal 12 News’.
Nas palavras de um alto responsável militar citado pelo ‘The Times of Israel’, a ocupação de Gaza seria “um buraco negro” para Israel, envolvendo “assumir a responsabilidade por dois milhões de pessoas, anos de limpeza militar, guerra de guerrilha e, o mais preocupante, colocar os reféns em perigo”.
Reféns nas mãos do Hamas, um obstáculo ao plano
Israel estima atualmente que o Hamas mantenha cerca de 50 reféns, dos quais aproximadamente 20 ainda estão vivos. A estratégia israelita visa também aumentar a pressão para garantir a sua libertação. No entanto, fontes de segurança citadas pela estação televisiva ‘Kan’ consideram as hipóteses de o Hamas retomar as negociações antes da aprovação do plano como “quase nulas”.
Um dos aspetos mais controversos do plano para os líderes israelitas é que os EUA não têm qualquer intenção de intervir, mas também não apoiam uma possível anexação israelita do território de Gaza. A Administração Trump afirmou que o presidente acredita que a decisão “dependerá em grande parte de Israel”.
Trump declarou que não se opõe ao plano, mas rejeitou publicamente qualquer tentativa de anexar Gaza. A posição do presidente americano endureceu após a divulgação de um vídeo de propaganda do Hamas que mostrou um refém israelita “visivelmente subnutrido e forçado a cavar a sua própria cova”, segundo o ‘The Times of Israel’. Trump terá mudado de ideias e “deixado os israelitas fazerem o que têm a fazer”.














