O ‘grande segredo’ de Kim Jong-un: Revelada base secreta da Coreia do Norte que esconde mísseis nucleares

De acordo com a investigação, publicada pela plataforma especializada Beyond Parallel, a instalação situa-se em Sinpung-dong, na província de Pyongan do Norte, a cerca de 27 quilómetros da fronteira chinesa. As imagens analisadas foram recolhidas em julho deste ano e mostram um complexo construído entre 2004 e 2014, posteriormente modernizado.

Pedro Gonçalves
Agosto 21, 2025
11:58

A Coreia do Norte poderá estar a ocultar mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear numa base não declarada localizada perto da fronteira com a China. A revelação consta de um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um influente think tank sediado em Washington, que analisou imagens de satélite recentes do complexo.

De acordo com a investigação, publicada pela plataforma especializada Beyond Parallel, a instalação situa-se em Sinpung-dong, na província de Pyongan do Norte, a cerca de 27 quilómetros da fronteira chinesa. As imagens analisadas foram recolhidas em julho deste ano e mostram um complexo construído entre 2004 e 2014, posteriormente modernizado.

Segundo o relatório, a base alberga uma brigada equipada com entre seis e nove mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), possivelmente dos modelos Hwasong-15 ou Hwasong-18, embora não esteja descartada a utilização de um sistema ainda não revelado. Estes projéteis, segundo os peritos, “representam uma ameaça nuclear tanto para a Ásia Oriental como para o território continental dos Estados Unidos”.

O estudo acrescenta que a base dispõe de veículos lançadores móveis, conhecidos como TEL (transportador-erector-lançador) ou MEL (lançador-erector móvel). Em caso de crise, os mísseis e as plataformas seriam deslocados para se encontrarem com unidades responsáveis pelo transporte de ogivas nucleares, a fim de proceder ao lançamento a partir de locais previamente definidos.

Um elo no “cinturão estratégico de mísseis”
A agência Efe, que cita o relatório, sublinha que Sinpung-dong integra o chamado “cinturão estratégico de mísseis” da Coreia do Norte. Este inclui outras bases igualmente não declaradas, como Hoejung-ni, Sangnam-ni e Yongnim, que desempenham um papel central na estratégia balística e na expansão das capacidades nucleares do regime de Kim Jong-un.

O estudo alerta ainda que projéteis como o Hwasong-18 têm um alcance estimado superior a 15.000 quilómetros, o que colocaria praticamente todo o território continental dos Estados Unidos ao alcance do arsenal norte-coreano.

Atualmente, a Agência de Inteligência de Defesa (DIA) dos EUA estima que a Coreia do Norte disponha de menos de dez ICBM operacionais. No entanto, segundo projeções citadas pela agência sul-coreana Yonhap, o regime poderá produzir até 40 unidades adicionais ao longo da próxima década, ampliando significativamente a sua capacidade ofensiva.

Este reforço militar ocorre num momento em que Pyongyang tem endurecido o discurso face a Seul, rejeitando qualquer melhoria nas relações bilaterais e classificando a Coreia do Sul como “inimigo”.

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