A tensão política em França intensificou-se esta segunda-feira, com vários partidos da oposição a ameaçarem derrubar o governo do primeiro-ministro François Bayrou através de uma moção de censura, na sequência do anúncio de cortes orçamentais para 2026. A aprovação do orçamento para esse ano só deverá acontecer no final de 2025, mas o tema já está a pôr à prova a resistência do executivo, que assumiu funções em Dezembro último, depois da queda do governo anterior liderado por Michel Barnier.
Em entrevista à BFM TV, no domingo, o ministro das Finanças, Éric Lombard, revelou que o plano para reduzir o défice orçamental de 5,4% do PIB em 2025 para 4,6% em 2026 exigirá poupanças no valor de 40 mil milhões de euros. Este anúncio acentuou o descontentamento da oposição, que acusa o governo de preparar uma política de austeridade severa.
François Bayrou, que já sobreviveu a anteriores moções de censura, prepara-se para apresentar esta terça-feira o seu discurso sobre o orçamento, no qual se espera que detalhe as medidas de austeridade em vista. A capacidade de Bayrou para manter a estabilidade política será novamente testada, num contexto em que a sua maioria parlamentar é frágil.
Arthur Delaporte, deputado socialista e porta-voz do partido, advertiu que o governo deve aprender com o caso de Michel Barnier, cuja tentativa de aprovar um orçamento restritivo para 2025 acabou por conduzir à sua demissão. “Este governo não tem maioria para aprovar um orçamento de austeridade”, afirmou Delaporte à agência Reuters. O deputado sublinhou ainda que os socialistas continuam a vigiar atentamente a acção do governo: “Sempre dissemos que este governo está sob a vigilância dos deputados socialistas e não aceitaremos um orçamento repleto de cortes sociais e que não envolva aqueles que mais podem contribuir.”
Os socialistas desempenham um papel crucial, podendo ser decisivos na aprovação ou rejeição do orçamento. Caso se juntem à extrema-esquerda e à extrema-direita, o governo Bayrou poderá cair.
Da parte da extrema-direita, Sébastien Chenu, deputado e figura de destaque do Reagrupamento Nacional, declarou esta segunda-feira à rádio Europe 1/CNews que o seu grupo parlamentar apoiaria uma moção de censura caso o governo impusesse “cortes profundos às classes populares”. Segundo Chenu, “ao construir um orçamento que pede aos franceses que apertem o cinto, o governo expõe-se a uma moção de censura da nossa parte”.
Manuel Bompard, coordenador nacional da França Insubmissa (partido de extrema-esquerda), também sinalizou disponibilidade para avançar com uma moção de censura. No entanto, frisou que essa iniciativa só faria sentido se fosse apoiada por toda a esquerda. Tanto a extrema-esquerda como a extrema-direita, isoladamente, não têm votos suficientes para derrubar o governo, sendo essencial o apoio dos socialistas ou de outros partidos de esquerda.
O ambiente político em Paris aquece, assim, com a ameaça de uma crise governamental iminente, numa altura em que a economia francesa enfrenta já desafios significativos relacionados com a necessidade de consolidação orçamental.














