MP vai pedir documentos de atividade à empresa de Montenegro: uma das denúncias na PGR é de Ana Gomes

“Há um problema ético óbvio, do ponto de vista judicial é outra questão”, frisou a ex-eurodeputada e candidata presidencial. “A empresa do primeiro-ministro não era uma empresa que recebesse de empresas quaisquer, recebia de um setor vulnerável à lavagem de dinheiro.”

Revista de Imprensa
Março 14, 2025
9:23

O Ministério Público vai pedir os documentos de atividade, faturação e contratos com clientes à Spinumviva de Luís Montenegro, relatou esta sexta-feira o jornal ‘Observador’, no âmbito do processo de averiguação preventiva avançado pela Procuradoria-Geral da República.

Será também pedida documentação aos clientes já conhecidos, como são os casos do grupo Solverde, a Rádio Popular, o Colégio Luso-Internacional do Porto, a Ferpinta e o Grupo Sofarma, as “entidades terceiras” indicadas pelo procurador-geral Amadeu Guerra. “Estivemos a recolher elementos e, dos elementos que recolhemos, não há fundamento para abrir inquérito. Por isso, abrimos uma averiguação preventiva e com os meios possíveis para a mesma. Ou seja, não podemos usar meios intrusivos. São meios em fontes abertas e pedidos a entidades terceiras, que podem aceitar ou não”, explicou.

O procurador-geral relatou terem sido recebidas três denúncias. Uma das quais de Ana Gomes, antiga candidata presidencial. “Fiz uma comunicação com o meu nome à Procuradoria Europeia e, naturalmente, mandei cópia à PGR. Tem a ver com a minha preocupação com a questão dos casinos e a frouxa supervisão dos casinos. Enviei a participação na segunda-feira, dia 10. As instâncias europeias disseram que receberam e, entretanto, o senhor procurador-geral da República confirmou a averiguação preventiva”, salientou Ana Gomes, assegurando não ter “fontes especiais” de informação.

“O que aconteceu leva-me a pensar que há um sistema absolutamente fraco para fazer o controlo do branqueamento de capitais num setor vulnerável. Não estamos a falar só no jogo territorial dos casinos, mas também no jogo online”, referiu.

“Há um problema ético óbvio, do ponto de vista judicial é outra questão”, frisou Ana Gomes. “A empresa do primeiro-ministro não era uma empresa que recebesse de empresas quaisquer, recebia de um setor vulnerável à lavagem de dinheiro.”

Uma das restantes duas denúncias é anónima e consiste no envio de uma cópia da notícia do jornal ‘Expresso’, no passado dia 27, onde foi divulgado que a Solverde pagava 4.500 euros mensais à empresa familiar de Luís Montenegro. A segunda denúncia diz respeito às suspeitas de um eventual crime de procuradoria ilícita no âmbito da Spinumviva, suspeitas que levaram a um processo de averiguações da Ordem dos Advogados junto do Conselho Regional do Porto.

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