Moção de confiança já ia no bolso? Governo revela (sem querer) plano para resolver crise durante debate no Parlamento

Um plano preliminar do Governo para a gestão da atual crise política tornou-se público de forma inesperada, após uma fotografia captada no Parlamento expor um documento segurado pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro.

Pedro Gonçalves
Março 6, 2025
11:01

Um plano preliminar do Governo para a gestão da atual crise política tornou-se público de forma inesperada, após uma fotografia captada no Parlamento expor um documento segurado pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro. O incidente ocorreu durante o debate da moção de censura ao Executivo, que acabou chumbada, mas acabou por revelar a estratégia delineada pelo Governo para lidar com a contestação política e mediática.

A imagem, registada pelo fotojornalista da Agência Lusa Manuel de Almeida, rapidamente começou a circular nas redes sociais e chegou aos meios de comunicação e aos partidos da oposição. O Observador confirmou junto de fontes governamentais a autenticidade do documento, mas não obteve confirmação oficial de que este plano corresponda à versão final da estratégia do Executivo. De acordo com as mesmas fontes, é possível que o conteúdo tenha sofrido alterações e que as notas captadas sejam apenas um esboço inicial.

No documento, é possível identificar as diferentes fases do plano. Após o debate parlamentar e a participação de ministros em programas televisivos – algo que já ocorreu na quarta-feira –, estava previsto que o Governo entregasse esta quinta-feira as respostas às questões dos partidos sobre o caso Spinumviva. Entre sexta-feira e segunda-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, deveria conceder uma entrevista às três principais televisões do país – RTP, SIC e TVI –, procurando responder às críticas de que tem evitado o escrutínio da comunicação social desde o início da crise.

Além disso, o plano indicava que o Conselho de Ministros de sexta-feira teria um duplo objetivo: anunciar novas medidas governativas, reforçando a mensagem de que o Executivo continua focado na governação, e aprovar a moção de confiança que será submetida ao Parlamento. O desfecho do plano, conforme delineado no documento, seria o debate da moção de confiança, previsto para terça ou quarta-feira.

Apesar da incerteza sobre eventuais alterações ao plano, a sua divulgação acidental torna-o num elemento politicamente significativo. Para a oposição, o incidente expôs de forma clara a estratégia de comunicação do Governo, enquanto para o Executivo representa um contratempo numa gestão política já delicada.

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