Medvedev avisa que Rússia vai retaliar caso a Áustria avance para adesão à NATO

Medvedev ameaça represálias caso a Áustria avance para adesão à NATO.

Pedro Gonçalves
Agosto 28, 2025
14:34

A Rússia advertiu esta quinta-feira que poderá adotar medidas retaliatórias se a Áustria decidir abandonar a sua histórica neutralidade para aderir à NATO. O aviso partiu de Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo e aliado próximo de Vladimir Putin, que acusou Viena de ceder à pressão de Bruxelas e de seguir o caminho já tomado pela Suécia e pela Finlândia após a invasão russa da Ucrânia, em 2022.

Num artigo de opinião publicado no site russo RT, Medvedev afirmou que a eventual adesão austríaca à Aliança Atlântica representaria uma rutura com a Constituição e com tratados internacionais que consagram a neutralidade do país desde 1955. “A razão está a ceder ao instinto de rebanho. Seguindo a Finlândia e a Suécia, o establishment austríaco — instigado por uma Bruxelas sedenta de sangue — está a fomentar o debate público sobre o abandono da neutralidade constitucional em favor da NATO”, escreveu o ex-presidente russo.

O dirigente recordou que a neutralidade foi um fator decisivo para que Viena se tornasse sede de quase 20 organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e a OPEP. Para Medvedev, a aproximação austríaca à NATO colocaria em risco o chamado “espírito de Viena” e obrigaria Moscovo a ponderar a relocalização destas instituições para países do Sul Global ou do Leste que ofereçam “as condições necessárias para o seu trabalho”.

Medvedev também sublinhou que qualquer alteração da neutralidade exigiria o consenso dos signatários do Tratado de Estado austríaco de 1955 e do Memorando de Moscovo, onde se inclui a própria Rússia. Nesse sentido, insistiu que “as respostas a duas questões fundamentais — se a Áustria pode renunciar unilateralmente à sua neutralidade e se pode decidir sozinha entrar na NATO — são ambas inequivocamente negativas”. A sua leitura foi corroborada por Karin Kneissl, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Áustria, que considerou impossível mudar o estatuto de neutralidade sem o aval unânime das partes envolvidas.

Apesar de o debate interno estar a ganhar espaço, os números das urnas revelam fraca aceitação popular para a entrada na NATO. O partido liberal NEOS, que defende a adesão, obteve menos de 10% dos votos nas últimas eleições, enquanto o Partido da Liberdade, de linha anti-NATO, conquistou 37%. Ainda assim, Medvedev acusou Viena de um progressivo alinhamento militar com o Ocidente, lembrando que, só em 2024, mais de 3.000 comboios militares da NATO e 5.000 aeronaves da Aliança atravessaram território austríaco.

O dirigente russo concluiu com uma ameaça explícita, alertando que, caso avance para a NATO, a Áustria poderá ver as suas forças armadas incluídas nos planos militares de longo alcance da Rússia. “Um pacote de contramedidas foi adotado contra a Suécia e a Finlândia após a sua adesão à NATO, e a

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