Médio Oriente é um ‘barril de pólvora’: saiba quais os aliados, os inimigos e os ambíguos com Israel no conflito com o Hamas

“Nada sem os Palestinianos” foi a mensagem do Hamas a todos os regimes árabes: a alternativa é a guerra e a instabilidade total em toda a região, o que provocará o caos

Francisco Laranjeira
Outubro 9, 2023
15:08

Há uma semana, grande parte dos Governos árabes do Médio Oriente expressaram publicamente a sua satisfação com o bom progresso nas relações com Israel: após o ataque sangrento do Hamas este fim de semana, a maioria teme o impacto que a revolta palestiniana na Faixa de Gaza terá nos muçulmanos.

O grupo palestiniano espera essa reação do mundo árabe, o que, de acordo com o jornal espanhol ‘ABC’, pode ajudar a explicar esta guerra aberta contra Israel, que poderá dizimar a população palestiniana na Faixa de Gaza. A mensagem tem um destinatário claro: a Arábia Saudita, que nas vésperas do conflito, estava a terminar o seu cauteloso processo de negociação com Israel para fazer a paz e reconhecer, pela primeira vez, o Estado Judeu. Em Riade, o apelo ambíguo a um cessar-fogo pode significar que o processo de paz promovido pela Administração Biden está num limbo.

“Nada sem os Palestinianos” foi a mensagem do Hamas a todos os regimes árabes: a alternativa é a guerra e a instabilidade total em toda a região, o que provocará o caos.

Os regimes mais próximos de Israel limitam-se a desejar que a guerra acabe, quando o exército hebraico ainda luta no seu território. É o caso da Jordânia – onde residem três milhões de palestinianos – e do Egito, que assinou a paz em 1979. A Arábia Saudita continua atordoada com os acontecimentos e contribui para esta posição ambígua.

Já os Governos do Iraque e Turquia foram mais contundentes contra Israel: nas suas declarações encontrava-se o apoio à causa palestiniana na sua procura pelo seu próprio Estado – Erdogan, presidente turco, ofereceu-se para suavizar a mensagem ao propor a mediação de um acordo de paz entre as partes.

Entre os abertamente hostis face a Israel estão o Líbano, o Qatar, a Síria e especialmente o Irão. O Hamas mantém uma aliança com o movimento jihadista xiita Hezbollah, que controla uma parcela significativa do poder em Beirute e condiciona a sua diplomacia. Já o Qatar é suspeito de apoiar os líderes do Hamas com dinheiro e abrigo. O regime de Bashar al Assad em Damasco conta com os milicianos do Hamas para recuperar o controlo da Síria. Por último, o Irão, visto como ‘a mão que embala o berço’: Teerão negou as acusações de que teria dado ‘luz verde’ ao ataque mas apoia revolta na Faixa de Gaza com armas.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.