A MANDIC está a chegar a Portugal com cursos de especialização na Medicina Dentária com um investimento de dois milhões de euros. Os representantes estimam um valor de faturação de 1,5 milhões de euros nos primeiros 12 meses de atividade em Portugal.
Criada há 30 anos, a Faculdade São Leopoldo Mandic é uma referência em território brasileiro, tendo sido a primeira instituição da América Latina a receber o selo ORPHEUS (Organization of PHD Education in Biomedicine and Health Sciences in the European System), uma organização europeia que avalia e reconhece instituições de ensino com práticas de excelência na formação de doutores.
Depois de formar mais de 50 mil dentistas — sendo 30 mil apenas em pós-graduações odontológicas – de todo o mundo, incluindo muitos portugueses que se deslocam ao Brasil propositadamente para aprofundar a sua formação na área, a MANDIC decidiu dar este passo estratégico e contribuir para o crescimento económico em território português. Em Portugal estarão cerca de 15 colaboradores de diversas áreas vindos do Brasil para potenciar o projeto pensado para alcançar cerca de 150 médicos dentistas ao longo do próximo ano.
Rodrigo Paiva, diretor executivo de produto da Mandic, falou em exclusivo à ‘Executive Digest’ para explicar os motivos pela escolha de Lisboa, realçando que é o primeiro passo de um plano mais ambicioso.
1. Qual é o objetivo do investimento no mercado português?
A MANDIC pretende expandir a sua operação, já amplamente consolidada no Brasil, onde mais de 21 mil especialistas foram formados, para o mercado europeu. Identificamos um forte potencial na Europa para a oferta de formação de excelência na área da medicina dentária. Portugal surge como ponto de partida estratégico, não só pelas afinidades linguísticas e culturais com o Brasil.
O país conta atualmente com cerca de 13 mil médicos dentistas com inscrição ativa na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), o que reflete a relevância e maturidade do sector. Acreditamos que Portugal poderá também funcionar como uma base para a internacionalização da nossa oferta, incluindo cursos em inglês dirigidos a profissionais de toda a Europa e outras regiões.
2. Que mais-valia pode ser aportada à oferta educativa em Portugal?
A MANDIC traz para Portugal uma proposta de valor diferenciada, baseada em mais de duas décadas de experiência na formação de especialistas em medicina dentária no Brasil. A nossa abordagem combina rigor académico com uma forte componente prática, com cursos desenhados para responder às exigências clínicas reais do dia-a-dia dos profissionais.
Contamos com um corpo docente altamente qualificado, composto por profissionais de referência internacional, e uma metodologia de ensino que alia inovação tecnológica, ensino híbrido e experiências imersivas. Para além disso, acreditamos que podemos contribuir para a internacionalização da educação médica em Portugal, oferecendo formações também em inglês e promovendo o intercâmbio de conhecimento entre profissionais de diferentes países.
O nosso compromisso é elevar o padrão da formação especializada, complementando a oferta já existente no país com opções de pós-graduação altamente especializadas e orientadas para a prática profissional.
3. Portugal é o único destino onde procuram expansão? Ou o plano é mais abrangente?
O nosso plano de expansão na Europa tem início em Portugal, com Lisboa como cidade-piloto, pela sua relevância académica, acesso a profissionais da área e ligação internacional. No entanto, o Porto também está nos nossos planos como segundo polo de referência, dada a sua forte tradição na medicina dentária e dinamismo académico.
Para além de Portugal, estamos a avaliar a entrada em Espanha, onde também vemos grande potencial de mercado. Adicionalmente, olhamos para o público estrangeiro residente nestes países, bem como para profissionais de outras nacionalidades que procuram formações imersivas de curta duração, em inglês, com elevada qualidade técnica e aplicabilidade clínica.
4. Quais são as principais diferenças educativas entre os dois países nesta área? E de que forma este novo investimento pode ajudar a limar qualquer eventual diferença ou até mesmo desconfiança?
A São Leopoldo Mandic chega a Portugal com um propósito claro: oferecer formações que unem excelência académica, prática clínica intensiva e um modelo internacional de ensino. Nas nossas pesquisas junto de profissionais portugueses, identificámos uma procura latente por cursos que aliem conteúdo de alto nível à vivência clínica com pacientes reais — algo ainda pouco explorado localmente.
É justamente nesse ponto que os cursos da Mandic se destacam. Nossas formações contam com ampla carga prática em clínica, supervisionada por especialistas, promovendo o desenvolvimento técnico com segurança e profundidade. Cada curso é conduzido por uma dupla de coordenação — um especialista português e um brasileiro — garantindo uma troca rica de experiências, visões e metodologias que ampliam o repertório do aluno.
Outro diferencial importante está no formato modular. Cada módulo tem duração de três dias, permitindo que os dentistas conciliem o aperfeiçoamento profissional com sua rotina de atendimentos. Uma estrutura flexível, sem abrir mão da imersão e da qualidade.
Com mais de 30 anos de história, a Mandic é referência em ensino na saúde no Brasil, com nota máxima do MEC há 15 anos consecutivos e mais de 50 mil alunos formados — sendo 30 mil apenas em pós-graduações odontológicas. Essa expertise une-se agora à infraestrutura de excelência também em solo português, consolidando uma proposta que valoriza o tempo do profissional e eleva o padrão da formação.














