Lua fica mais velha: rocha recolhida pelos astronautas do Apollo 17 em 1972 revela a idade do satélite da Terra

Principal hipótese para a formação lunar é que durante a caótica história inicial do Sistema Solar, um objeto do tamanho de Marte chamado Theia colidiu com a Terra primordial

Francisco Laranjeira
Outubro 23, 2023
17:07

A Lua ‘ganhou’ 40 milhões de anos de vida: ter-se-á formado há mais de 4,46 mil milhões de anos, 110 milhões após o nascimento do Sistema Solar. A conclusão dos cientistas chegou depois de um estudo mais aprofundado das amostras de solo e rocha recolhidos durante a missão Apollo 17 – a última vez que houve pessoas a caminhar no satélite natural da Terra.

Em 1972, os astronautas americanos Harrison Schmitt e Eugene Cernan recolheram cerca de 110,4 kg de amostras de solo e rocha: meio século depois, os cristais de zircão dentro de um fragmento de uma rocha ígnea de granulação grossa estão a permitir uma compreensão mais profunda sobre a formação da Lua.

A principal hipótese para a formação lunar é que durante a caótica história inicial do Sistema Solar, um objeto do tamanho de Marte chamado Theia colidiu com a Terra primordial. Este magma explodiu no espaço, formando um disco de detritos que orbitou a Terra e se fundiu na Lua. Mas o momento exato da formação tem sido difícil de determinar.

Assim, quando o magma arrefeceu e solidificou, foram formados cristais minerais: os cientistas utilizaram um método chamado tomografia por sonda atómica para confirmar a idade dos sólidos mais antigos que se formaram após o impacto gigante. “Adoro o facto de este estudo ter sido feito numa amostra recolhida e trazida para a Terra há 51 anos. Naquela época, a tomografia por sonda atómica não estava ainda desenvolvida e os cientistas não teriam imaginado os tipos de análises que fazemos hoje”, referiu Philipp Heck, cosmoquímico e diretor sénior do Field Museum, em Chicago, e autor do estudo publicado na revista científica ‘Geochemical Perspectives Letters’.

“Curiosamente, todos os minerais mais antigos encontrados na Terra, em Marte e na Lua são cristais de zircão. O zircão, e não o diamante, dura para sempre”, acrescentou o cientista planetário da UCLA e coautor do estudo, Bidong Zhang. “Os zircões são muito duros e resistentes e sobrevivem à quebra das rochas durante o intemperismo”, sublinhou Heck.

“O impacto gigante que formou a Lua foi um evento cataclísmico para a Terra, que acabou por mudar a velocidade de rotação do planeta. Depois disso, a Lua teve um efeito na estabilização do eixo de rotação da Terra e na desaceleração da velocidade de rotação da Terra”, referiu Heck. “A data de formação da Lua é importante porque só depois é que a Terra se tornou um planeta habitável.”

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