“Lista de clientes” de Epstein afinal não existe… E abre ‘guerra civil’ entre apoiantes de Trump

Na segunda‑feira, o Departamento de Justiça dos EUA divulgou um memorando que confirma a morte por suicídio de Jeffrey Epstein e afasta a existência de qualquer “lista de clientes” ligada à exploração sexual que o ex‑milionário manteve durante anos.

Pedro Gonçalves
Julho 15, 2025
11:59

A publicação do relatório final do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso Jeffrey Epstein gerou uma onda de indignação e frustração na base trumpista, particularmente entre os defensores mais fervorosos do movimento MAGA. O memorando oficial conclui que o multimilionário, condenado por exploração sexual de menores e ligado a várias figuras da elite internacional, se suicidou na prisão e não deixou qualquer “lista de clientes” que o tivesse ajudado ou acobertado.

De acordo com o documento, não há provas credíveis de chantagem por parte de Epstein a figuras proeminentes, nem qualquer material que justifique novas investigações contra terceiros. “Perpetuar teorias infundadas sobre Epstein não serve para proteger as vítimas, nem combate a exploração de menores”, sublinha o relatório, numa tentativa de encerrar o caso. No entanto, a narrativa oficial caiu mal entre os apoiantes mais conspiracionistas de Donald Trump.

Vozes influentes do trumpismo reagiram de imediato. Tucker Carlson, ex-apresentador da Fox News e um dos porta-vozes do nacional-populismo, acusou diretamente o Departamento de Justiça, liderado por Pam Bondi, de encobrir crimes “muito sérios”. Já Steve Bannon, ex-estratega da campanha de Trump e atual apresentador do podcast War Room, exigiu a nomeação de um procurador especial para investigar a fundo e “salvar a presidência de Trump”.

A pressão popular é tal que o próprio Donald Trump se viu forçado a intervir. Numa mensagem publicada na sua plataforma Truth Social, o ex-presidente tentou apaziguar a sua base, criticando o foco insistente no caso Epstein e atribuindo a Barack Obama e Hillary Clinton a autoria dos ficheiros. “Estamos no mesmo lado, MAGA. Não me agrada o que está a acontecer”, escreveu, numa tentativa de travar a crescente fúria interna.

A tensão agravou-se ainda mais com declarações explosivas de Elon Musk, que publicou e depois apagou um tweet sugerindo que Trump constava nos ficheiros de Epstein e que essa era a razão pela qual estes não foram tornados públicos. Ao mesmo tempo, a revista WIRED revelou que o vídeo de 21 GB gravado na cela onde Epstein morreu foi editado com software Adobe Premiere Pro, alimentando teorias de manipulação digital, mesmo sem provas conclusivas de adulteração intencional.

A polémica ameaça corroer a coligação MAGA por dentro, em especial porque várias figuras que durante anos alimentaram suspeitas sobre o caso Epstein agora integram a administração Trump. Kash Patel e Dan Bongino, antigos críticos públicos do escândalo, são atualmente, respetivamente, diretor e subdiretor do FBI. Ambos têm evitado abordar o tema, mas o desconforto é crescente e, segundo fontes anónimas, poderão vir a demitir-se.

Por fim, o evento estudantil da organização Turning Point USA lançou mais lenha para a fogueira. Tucker Carlson voltou à carga, afirmando que Epstein trabalhava “em nome de serviços secretos, provavelmente não americanos”, sugerindo uma ligação a Israel. As declarações abrem um novo campo de conflito entre a base trumpista e os aliados tradicionais dos EUA no Médio Oriente, num momento de grande instabilidade política.

O caso Epstein, encerrado oficialmente pelo Departamento de Justiça, longe de pacificar, parece ter despertado os fantasmas mais profundos da direita conspirativa norte-americana — e lançado o trumpismo numa das suas maiores crises internas até à data.

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