No sexto dia da tracking poll da Pitagórica, realizada para o Jornal de Notícias, TSF e TVI/CNN, o Partido Socialista (PS) continua a perder terreno de forma acentuada nas intenções de voto, enquanto a Aliança Democrática (AD) amplia a sua vantagem. Os dados divulgados esta euinta-feira revelam que os socialistas desceram para 26,1%, o valor mais baixo em eleições legislativas desde 1987, enquanto a AD sobe para 34,9%, consolidando uma diferença de 8,8 pontos percentuais.
Este resultado marca o terceiro dia consecutivo de queda para o PS, que perdeu 1,4 pontos percentuais desde o início da sondagem, a 2 de maio. A descida de 0,5 p.p. em relação ao dia anterior é a mais acentuada entre todos os partidos. Com este desempenho, o PS de Pedro Nuno Santos poderia registar o terceiro pior resultado da sua história em legislativas, apenas à frente dos verificados em 1985 (20,8%) com Almeida Santos e em 1987 (22,2%) com Vítor Constâncio.
O Chega mantém-se confortavelmente como a terceira força política, com 16,7% das intenções de voto, apesar de uma ligeira descida de 0,1 p.p. A Iniciativa Liberal (IL) permanece estável nos 6,8%. À esquerda, apenas o Livre apresenta uma subida, passando de 3,8% para 3,9%. A CDU desce para 3,2% (-0,3 p.p.) e o Bloco de Esquerda cai para 2,1% (-0,2 p.p.).
A análise por faixas etárias destaca a crescente força do Chega entre os jovens: pela primeira vez, o partido de André Ventura lidera as intenções de voto na faixa dos 18 aos 34 anos, com 20%, superando a AD (19%) e relegando o PS para quarto lugar, com apenas 8%. A IL é a terceira preferida dos mais jovens (14%), sendo neste grupo que concentra a esmagadora maioria do seu eleitorado, já que acima dos 35 anos não ultrapassa os 3%.
O Chega mantém também um desempenho forte entre os eleitores dos 35 aos 54 anos (18%), mas perde expressividade junto da população mais velha: apenas 7% entre os maiores de 55 anos, onde a AD (36%) e o PS (31%) dominam amplamente.
Socialistas perdem força onde já eram mais fracos
A análise detalhada por género, idade, região e classe social mostra que o PS perdeu sobretudo em segmentos onde já apresentava fraco desempenho. Entre os homens, desce de 21% para 20%, mantendo-se nos 22% entre as mulheres. A quebra mais significativa verifica-se nos jovens dos 18 aos 34 anos, onde o PS passa de 10% para 8%. Já entre os 35 e os 54 anos sobe para 19% (+2 p.p.) e entre os maiores de 55 anos regista uma ligeira queda, de 31% para 30,9%.
Regionalmente, o partido de Pedro Nuno Santos recua em quase todo o território: desce de 19% para 18% no Norte, de 23% para 22% em Lisboa e de 21% para 20% no Sul e Ilhas. Apenas no Centro regista um ligeiro crescimento, de 25% para 27%. Por classes sociais, o PS perde sobretudo entre a classe média e os rendimentos mais elevados, crescendo ligeiramente entre os grupos de rendimentos mais baixos.
A AD reforça a sua posição em quase todas as regiões. No Norte, lidera com 31%, seguida de longe pelo PS (18%) e pelo Chega (13%). No Centro, regista um empate com o PS, ambos com 27%, e a IL aparece com 7%. Em Lisboa, há novo empate entre a AD e o PS (22%), com o Chega logo atrás (16%) e a IL, CDU e Livre empatados nos 5%. No Sul e Ilhas, a AD lidera destacadamente com 38%, o PS tem 20% e o Chega 15%, enquanto a IL fica nos 4%.
Entre os mais ricos, a AD é dominante (32%), seguindo-se o PS (17%) e a IL (10%), que ultrapassa o Chega (9%). Na classe média, a AD mantém-se à frente com 31%, contra 19% do PS e 16% do Chega. Já nas classes com rendimentos mais baixos, o PS lidera (30%), seguido da AD (22%) e do Chega (18%).
PS com maior proporção de indecisos
Apesar da quebra acentuada, o PS é também o partido com maior número de indecisos entre o seu eleitorado tradicional. Dos que votaram PS nas últimas legislativas, 19% ainda não sabem em quem vão votar. No caso da AD, são 15% e, no Chega, 18%.
Globalmente, 18% dos eleitores continuam indecisos. Este valor desceu pelo segundo dia consecutivo, mas continua suficientemente elevado para influenciar os resultados finais. A indecisão é maior entre os homens (19%) do que entre as mulheres (17%), e mais elevada entre os jovens (21%). Por região, o Norte destaca-se com 22% de indecisos, seguido por Lisboa (17%), Sul e Ilhas (15%) e Centro (14%). As classes média alta e baixa registam ambas 19% de indecisos, enquanto a classe média se revela mais decidida (15%).
Avaliações dos líderes: Pedro Nuno em queda, Raimundo em recuperação
No capítulo da avaliação dos líderes partidários, Pedro Nuno Santos surge como o terceiro mais mal avaliado, com 16 pontos negativos. Trata-se de uma descida acentuada em relação aos dois dias anteriores, quando somava 12 pontos negativos. Pior só mesmo André Ventura, com 19 pontos negativos, e Mariana Mortágua, com 17.
No extremo oposto, Rui Rocha lidera com 14 pontos positivos, seguido por Rui Tavares (12). Paulo Raimundo também melhora significativamente a sua imagem: passa de quatro pontos negativos para dois pontos positivos. Luís Montenegro, apesar de ter três pontos negativos, está em recuperação (na véspera tinha cinco). Inês Sousa Real está entre os mais mal avaliados, com dez pontos negativos.
A percepção pública sobre os debates televisivos mostra um reforço da imagem de Luís Montenegro. Para 31% dos inquiridos, o líder da AD teve o melhor desempenho. Pedro Nuno Santos surge em segundo, com 13,7%, seguido por André Ventura (9,6%). Rui Tavares (4,3%) e Rui Rocha (3,3%) vêm a seguir, enquanto Mariana Mortágua só convenceu 1,2% dos inquiridos. Paulo Raimundo e Inês Sousa Real integram o grupo restante, que totaliza 2,2%.
A perceção sobre quem vai vencer as eleições do próximo dia 18 de maio é esmagadoramente favorável à AD: 71% dos inquiridos acreditam que será a coligação de centro-direita a sair vencedora. Apenas 14% apontam o PS como potencial vencedor, número que se mantém em relação ao dia anterior, e 2% acreditam que será o Chega. Os restantes 12% não souberam ou preferiram não responder.
Sobre o futuro do país, a maioria dos eleitores (66%) deseja uma combinação entre continuidade e mudança. Já 21% defendem uma mudança completa no rumo político, enquanto apenas 11% manifestam preferência pela continuidade total da governação.














