O Ministério Público está a investigar alegadas movimentações financeiras anómalas e o desaparecimento de avultadas somas de dinheiro das contas bancárias de Jorge Nuno Pinto da Costa, histórico ex-presidente do FC Porto, falecido em março deste ano. A ação judicial foi interposta por Alexandre Pinto da Costa, filho do antigo dirigente desportivo, que questiona o paradeiro do património que, segundo afirma, seria substancial.
De acordo com informações recolhidas pelo Correio da Manhã junto de fontes judiciais, algumas das contas bancárias do ex-presidente azul e branco estão praticamente a zero. Numa delas, por exemplo, o saldo rondava os 800 mil euros no verão de 2023. Atualmente, essa mesma conta tem cerca de 50 euros. O caso está agora nos tribunais cíveis do Porto.
Alexandre Pinto da Costa alega na ação judicial que o pai usufruía de pelo menos um milhão de euros por ano em rendimentos, sendo por isso “inexplicável” a ausência de património significativo. No processo é estimado que o valor global em causa ronde os três milhões e meio de euros, embora o próprio filho reconheça que esse montante poderá estar subavaliado.
Além das poupanças – que se estimavam em pelo menos dois milhões de euros –, há também referência ao desaparecimento de peças do museu pessoal de Pinto da Costa.
O processo judicial menciona ainda a ausência de esclarecimentos quanto ao destino dos 304 mil euros pagos pelas ações da SAD do FC Porto. Sabe-se apenas que o valor foi transferido por Agostinho Caetano para uma conta em nome de Pinto da Costa, mas não há registo posterior do paradeiro dessa verba.
O Correio da Manhã apurou que até as contas do Banco Carregosa, onde o Ministério Público já realizou buscas no âmbito da operação “Prolongamento”, têm agora saldos residuais ou nulos.
A ausência de bens em nome do ex-dirigente desportivo estende-se também ao património imobiliário. Imóveis que estiveram registados em nome de Pinto da Costa surgem agora em nome de terceiros. A viúva, Cláudia Campo, foi intimada pelos tribunais a apresentar, no prazo de 30 dias, uma relação completa do património disponível. O prazo ainda se encontra a decorrer.
Outra revelação do processo é que, aquando da sua morte, Pinto da Costa já não possuía qualquer automóvel em seu nome. O único veículo que lhe era atribuído — adquirido ao FC Porto — está agora registado em nome da viúva, Cláudia Campo.














