No Aeródromo de Manobra 1 (AM1), em Maceda (Ovar), o leitão não faltava à mesa da unidade da Força Aérea. Esta é a conclusão do julgamento, no Tribunal de Aveiro, de sete arguidos ligados à Força Aérea – entre os quais o tenente-coronel Francisco Cordeiro e o ex-comandante coronel José Nogueira. Só de uma vez foram encomendados 162 quilos de leitão, num total de 2.187 euros.
“Podíamos fornecer essa refeição uma vez por mês, se tivéssemos orçamento. Era solicitado ao fornecedor: ‘Olhe, para quarta-feira quero 10 ou 12 leitões’”, contou Francisco Cordeiro, citado pelo ‘Jornal de Notícias’, sobre a encomenda de 162 quilos de leitão, adiantando que também eram oferecidos em cabazes de Natal para os chefes da messe, além de “pão de ló de Ovar, bolo-rei e caixas de espumante”.
Francisco Cordeiro está acusado pelo Ministério Público de crimes de recebimento indevido de vantagem (25), abuso de poder (17), peculato de uso (nove) e peculato, que terá cometido entre outubro de 2018 e dezembro de 2020. Durante a pandemia da Covid-19, entre março e setembro de 2020, a família do militar chegou a viver em permanência na zona VIP da base aérea, um facto confirmado pelo arguido em tribunal – reconheceu também que, no seu quarto, onde habitava com a mulher, mandou instalar uma máquina de lavar roupa para a família.
O tribunal ainda questionou o arguido pela pintura de três automóveis particulares no interior da unidade e uma festa de aniversário da filha – onde foi só consumido “sopa e salada” da messe -, com Francisco Cordeiro a apontar ter tido autorização para tudo. “Mas não tenho nada escrito”, sublinhou.
Confrontado com a pintura de três automóveis particulares no interior da unidade e com uma festa de aniversário da filha – em que só assumiu ter sido consumida “sopa e salada” da messe -, entre outros benefícios, Francisco Cordeiro assumiu a maioria dos factos, garantindo, contudo, ter autorização para tudo. “Mas não tenho nada escrito”, acrescentou.
Por último, em setembro 2020, o arguido terá ordenado a compra de mais de meio milhar de garrafas de “vinho diferenciado”, no montante de 5.225 euros, justificando ter-se tratado de repor o stock da unidade.




