Novas imagens de satélite mostram que o Irão começou a remover equipamento essencial da central de enriquecimento de urânio de Natanz, semanas depois dos bombardeamentos norte-americanos de finais de junho terem danificado os sistemas elétricos da instalação e forçado a suspensão das operações.
As fotografias foram divulgadas por David Albright, presidente do Institute for Science and International Security, um think tank com sede em Washington, que publicou a análise na rede X. De acordo com Albright, quase duas dezenas de grandes unidades de arrefecimento — usadas para regular as centrifugadoras — foram retiradas dos edifícios originais e dispersas por várias zonas do complexo, incluindo pistas de helicópteros e instalações de abastecimento de água.
Recent satellite imagery of the Natanz enrichment plant shows that Iran has in the last week removed and dispersed nearly all of the "chillers" from the two HVAC buildings at the Fuel Enrichment Plant at Natanz. Nineteen out of 24 chillers in total have been dispersed throughout… pic.twitter.com/V6lYYAl6Jb
— David Albright (@DAVIDHALBRIGHT1) September 2, 2025
Segundo o especialista, a movimentação tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade a futuros bombardeamentos aéreos. “A remoção e dispersão parece ser uma tática para tornar os chillers menos vulneráveis a novos ataques”, escreveu Albright, acrescentando que Natanz continua sem energia externa e com as cascatas de centrifugadoras inativas.
Os ataques norte-americanos, realizados no final da guerra de 12 dias entre o Irão e Israel, atingiram três instalações nucleares: Natanz, Fordow e Isfahan. Embora a destruição à superfície tenha sido evidente, sobretudo em Natanz, as avaliações da inteligência dos EUA concluíram que as secções subterrâneas de Fordow não foram eliminadas. O Pentágono estimou que o programa nuclear iraniano foi atrasado em meses, possivelmente até dois anos, mas não anulado, em contraste com a afirmação de Donald Trump de que tinha sido “obliterado”.
Enquanto reorganiza as suas operações, Teerão também tem procurado responder no plano diplomático. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou na rede X que a tentativa europeia de reativar sanções da ONU através do mecanismo snapback era “ilegal e politicamente destrutiva”. Numa carta conjunta com os seus homólogos da Rússia e da China, enviada a partir de Tianjin, Araghchi acusou a Europa de ignorar que foi os Estados Unidos que primeiro violaram o Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA), quando Trump retirou Washington do pacto.
O Irão tem vindo a ultrapassar há anos os limites de produção de urânio impostos pelo JCPOA, justificando essa decisão com a saída norte-americana e insistindo que o programa nuclear tem apenas fins civis. Com o acordo prestes a expirar em outubro, a reimposição das sanções é um cenário cada vez mais plausível.
Após os ataques conjuntos de Israel e dos EUA em junho, o Irão reuniu-se em Genebra com representantes britânicos, franceses e alemães (E3) para tentar negociar um novo entendimento. Contudo, os europeus concluíram que Teerão não apresentou sinais de verdadeira disponibilidade para chegar a acordo.
“O movimento deste equipamento mostra que o Irão parece preocupado com a possibilidade de um novo ataque destruir ainda mais material essencial às centrifugadoras”, alertou David Albright. Já Araghchi defendeu que o país não cederá a pressões externas: “A nossa posição é firme. A invocação do mecanismo snapback não tem base legal e é politicamente destrutiva”.
Neste momento, Natanz permanece sem energia e com as centrifugadoras paradas, mas com o equipamento vital redistribuído pelo complexo. O futuro do programa nuclear iraniano dependerá de uma incógnita central: se os Estados Unidos ou Israel voltam a atacar, ou se a atual pausa dará espaço a uma escalada ainda maior no Médio Oriente.














