Ibiza vai tornar-se, a partir do próximo domingo, na segunda ilha do arquipélago das Baleares a aplicar restrições à entrada de veículos, com o objetivo de conter o impacto do turismo massivo. A medida surge na sequência do exemplo de Formentera, que desde 2019 já controla o acesso automóvel durante os meses de maior afluência. A nova norma aprovada pelas autoridades locais estabelece um limite máximo de 20.618 carros a circular entre 1 de junho e 30 de setembro — destes, 16 mil serão viaturas de aluguer e o restante corresponderá a veículos particulares de turistas.
A decisão foi aprovada com o apoio de todas as forças políticas representadas no Consell de Ibiza, com exceção do partido Vox. De acordo com dados oficiais, durante os meses centrais do verão, a rede viária da ilha regista uma sobrecarga de 23,6%, resultado do aumento exponencial do tráfego causado pela elevada procura turística.
Ao contrário de Formentera, o plano de Ibiza não inclui motos no conjunto de veículos sujeitos a limitação. Além disso, autocaravanas e caravanas terão de apresentar uma reserva válida num parque de campismo para poderem circular na ilha durante o período estipulado. Todos os veículos abrangidos pelas novas regras terão de pagar uma taxa de um euro por dia.
A medida enquadra-se numa estratégia mais ampla de combate à pressão turística nas Baleares, que tem vindo a motivar crescentes protestos populares e preocupações ambientais, particularmente em zonas com frágil equilíbrio ecológico e limitado espaço rodoviário.
Ibiza não será a última a adotar este tipo de medidas. Maiorca já está a preparar legislação semelhante, que deverá entrar em vigor no verão de 2026. O presidente do Consell de Mallorca, do Partido Popular (PP), anunciou que apresentará nos próximos dias o anteprojeto de lei que estabelecerá limites à entrada de veículos na maior ilha do arquipélago.
Já Menorca terá de esperar um pouco mais. O governo local, também liderado pelo PP, encomendou um estudo para avaliar a necessidade de implementar restrições semelhantes, apesar de um relatório do Consell de Menorca indicar que a rede viária da ilha opera 30% acima da sua capacidade nos picos de verão. O coletivo cívico Stop Vehículos Turísticos tem pressionado as autoridades menorquinas a tomar medidas urgentes.
Estas decisões enquadram-se na política de contenção turística promovida pelo governo regional das Ilhas Baleares, liderado pela presidente Marga Prohens (PP). A 11 de abril, o executivo aprovou um decreto para travar o crescimento do setor, que entrou em vigor quatro dias depois. Entre as medidas está a proibição de novas licenças de alojamento turístico em habitações plurifamiliares, bem como o aumento das exigências de qualidade para a renovação das licenças existentes.
O decreto previa também uma subida do Imposto sobre o Turismo Sustentável até aos seis euros por noite para hotéis de cinco estrelas e apartamentos turísticos de topo durante a época alta. Contudo, a medida acabou por ser suspensa devido à pressão de Vox — parceiro de coligação do PP nas Baleares — e da associação de empresários do setor hoteleiro. O valor máximo do imposto mantém-se assim nos quatro euros por noite e por turista.
Com estas medidas, o governo procura responder aos crescentes desafios do turismo de massas nas ilhas, procurando um equilíbrio entre a atividade económica e a preservação da qualidade de vida dos residentes e dos recursos naturais.













