O stock do crédito à habitação teve, em julho, a primeira variação anual negativa desde outubro de 2018, tendo caído para 99,3 mil milhões de euros. Comparado com o período homólogo, a redução é ligeira, de 0,1%, mas comparado a dezembro do ano passado a descida é mais acentuada: nessa altura atingia os 100,3 mil milhões de euros.
Os dados do Banco de Portugal, segundo o Público, podem ser explicados pelo aumento das amortizações totais ou parciais de capital, alavancado pela diminuição de novos empréstimos pedidos e concedidos, variáveis que parecem estar a estabilizar, com 3,7 mil milhões de euros de crédito amortizado de janeiro a maio deste ano, e recuperação de novos pedidos de empréstimo, olhando ao aumento dos pedidos de avaliação das casas com esse objetivo.
A forte subida das taxas Euribor, em máximos de 2008, justificam o aumento das amortizações de crédito e descida dos empréstimos. A subida rápida das taxas agravou o custo de novos empréstimos, mas também dos antigos, praticamente todos revistos para o nível atual das Euribor.
Em sentido contrário está o crédito ao consumo, sendo que o endividamento das famílias continua a aumentar: no final de julho atingia 10,9 mil milhões de euros, um aumento de 4% face ao mês homólogo de 2022, e praticamente idêntico a junho passado.
Por outro lado, há uma recuperação no número de avaliações de casas realizadas com finalidade de crédito à habitação. Segundo o INE, registou-se um aumento de 8,1% nas avaliações realizada em julho, tendo atingido 25 mil: está ainda assim 13,1% abaixo do mesmo período do ano passado, e longe do máximo de maio de 2022, de mais de 33 mil avaliações.
O valor mediano da avaliação bancária na habitação foi de 1525 euros por metros quadrado em julho, segundo os dados do INE, o que representa um aumento de sete euros face a junho passado e 7,6% face ao mesmo mês de 2022.
Todas as regiões registam aumento face ao mês anterior, com exceção da Região Autónoma dos Açores, que conta descida de 0,1%.
Olhando ao índice do valor mediano de avaliação bancária, em julho de 2023, o Algarve, a Área Metropolitana de Lisboa, a Madeira e o Alentejo Litoral são as regiões do País com valores mais altos de avaliação: são 42,7%, 33,9%, 8,3% e 3,7% mais altos do que a mediana em Portugal, respetivamente.






