Já reparou que a Páscoa coincide sempre com a lua cheia? Há uma ligação entre o satélite natural e o cristianismo que desconhecia

De acordo com o jornal espanhol ‘ABC’, a origem desta regra remonta ao Concílio de Niceia, em 325 d.C., quando a Igreja estabeleceu que a Páscoa seria celebrada no domingo seguinte à primeira lua cheia após o equinócio da primavera (fixado a 21 de março)

Executive Digest
Abril 18, 2025
15:30

A cada ano, a data da Semana Santa varia no calendário, mas uma coisa permanece a mesma: é sempre celebrada perto da primeira lua cheia da primavera. Essa coincidência não é mera coincidência nem astronomicamente arbitrária, mas responde a um cálculo antigo que combina elementos do calendário lunar judaico com a tradição cristã.

De acordo com o jornal espanhol ‘ABC’, a origem desta regra remonta ao Concílio de Niceia, em 325 d.C., quando a Igreja estabeleceu que a Páscoa seria celebrada no domingo seguinte à primeira lua cheia após o equinócio da primavera (fixado a 21 de março).

Esta regra procura manter o vínculo com a Páscoa judaica, celebrada de acordo com o calendário hebraico, que é lunar. De acordo com os Evangelhos, a morte e ressurreição de Jesus ocorreram durante a celebração da Páscoa judaica, então o cristianismo adotou esse período para estabelecer a sua principal celebração: assim, a Quinta-Feira Santa, a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa caem sempre perto da lua cheia.

Este fenómeno faz da lua um elemento constante e simbólico da Semana Santa. A sua luz, que banha muitas das procissões noturnas em cidades espanholas como Sevilha e Córdoba, integrou-se à liturgia visual dessas celebrações, quase como uma presença celestial a acompanhar os ritos.

O simbolismo lunar também está presente na iconografia cristã, especialmente nas representações da Virgem Maria. Em muitas imagens, especialmente em esculturas barrocas do sul da Europa e da América Latina, a Virgem aparece em pé sobre uma lua crescente prateada.

Esta imagem é inspirada na passagem do Apocalipse (12.1): “Uma mulher vestida de sol, com a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.” A lua sob os seus pés simboliza a vitória sobre a mudança, o terreno e até mesmo a morte, e destaca o seu papel como Rainha do Céu. Assim como a lua reflete a luz do sol, a Virgem é vista como um reflexo da luz divina, sem ser a sua fonte direta, numa metáfora teológica que perdura há séculos na arte sacra.

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