Com a chegada do verão e a subida acentuada das temperaturas, os animais de estimação enfrentam um risco acrescido de sofrerem golpes de calor, uma condição grave que pode mesmo ser fatal se não for detetada e tratada a tempo. De acordo com os especialistas, há sinais claros de alerta e medidas simples que podem fazer toda a diferença na saúde dos animais durante os dias mais quentes.
Os primeiros sintomas a que os donos devem estar atentos incluem respiração ofegante, língua de fora em formato anormal, salivação excessiva, vómitos e fraqueza. Estes são sinais de que o animal poderá estar em esforço extremo para arrefecer o corpo. “Os ‘golpes de calor’ significam que os animais já não têm capacidade de dissipar a própria temperatura, o que pode levar a problemas neurológicos, de coagulação e respiratórios gravíssimos, podendo até causar a morte”, explicou à CNN Portugal o médico veterinário Nuno Paixão.
Inês Guerra, vice-presidente da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), alerta que estas situações “podem mesmo colocar em risco a vida” dos animais. Segundo a responsável, os donos devem manter-se particularmente atentos a alterações no comportamento habitual do animal, como tentativas de deitar o corpo em superfícies frescas, principalmente com a barriga, axilas e virilhas em contacto com o chão — uma tentativa instintiva de perder calor acumulado.
Perante qualquer um destes sinais, os especialistas são unânimes: é fundamental procurar assistência médica imediata. “Se o animal estiver com essas dificuldades, é bom que vá diretamente ao médico veterinário, porque pode estar com um golpe de calor que pode ser fatal”, reforçou Nuno Paixão.
Para evitar estas situações, é essencial adaptar a rotina dos animais ao calor. Os passeios devem ser realizados fora das horas de maior calor e, sempre que possível, em zonas verdes e sombreadas. “Podem até surgir queimaduras nas patas por tocarem no asfalto, que está bastante quente”, alertou Inês Guerra. Por isso, a escolha de locais ajardinados torna-se particularmente importante, já que “automaticamente vão estar muito mais frescos do que uma zona de alcatrão”.
Os cuidados com a hidratação são também cruciais. A água deve estar sempre disponível, fresca e limpa, sendo idealmente mudada de três em três horas. Como alternativa, pode colocar água congelada na tigela do animal, o que ajuda a manter a temperatura fresca por mais tempo. “Nem sempre conseguimos trocar a água com essa frequência, por isso sugerimos soluções que garantam a frescura da água ao longo do dia”, aconselhou Nuno Paixão.
A par das recomendações, há também comportamentos que devem ser evitados. Deixar um animal num carro, mesmo à sombra e por poucos minutos, é um erro frequente com consequências graves. “Tudo o que seja abafado, tudo o que não permita correntes de ar, numa altura em que a temperatura ambiente esteja muito alta, mesmo à sombra, vai aquecer mais rapidamente”, explicou o veterinário. Da mesma forma, molhar o animal e deixá-lo ao sol pode, paradoxalmente, agravar a situação: “A humidade no pêlo pode aquecer rapidamente e aumentar ainda mais a temperatura corporal”, advertiu.
Outro erro comum é tosquiar excessivamente os animais. Embora possa parecer que um pêlo mais curto ajuda a refrescar, o oposto pode acontecer. “Eles precisam do pêlo para conseguir regular a temperatura. Quando cortamos de forma que fique muito curto, existe a questão da exposição solar”, referiu Inês Guerra, acrescentando que o pêlo atua como isolante tanto para o frio como para o calor.
Alguns animais exigem atenção redobrada. As raças de focinho achatado — como pugs, buldogues ou boxers — têm maior dificuldade em respirar e, por isso, têm também mais dificuldades em perder calor. Os animais doentes, especialmente com problemas renais ou diabetes, assim como os mais jovens, são também especialmente vulneráveis. “São muito mais suscetíveis de, com situações de calor, ficarem em situações de limite da sua vida”, sublinhou a vice-presidente da OMV.
Há ainda soluções práticas no mercado para ajudar a proteger os animais: coletes refrescantes que se mantêm frios depois de estarem no frigorífico, pomadas protetoras e botas para evitar queimaduras nas patas. Mas, acima de tudo, a vigilância constante e o bom senso dos donos são a chave para garantir um verão seguro para todos os membros da família — incluindo os de quatro patas.





