O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou esta segunda-feira a gerar manchetes inesperadas, não pelo anúncio oficial que tinha preparado, mas por uma confusão sobre a localização da sua próxima cimeira com Vladimir Putin.
Durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, destinada a justificar o envio da Guarda Nacional para Washington D.C., Trump afirmou que iria “à Rússia” na sexta-feira para se encontrar com o líder do Kremlin. Contudo, a reunião não terá lugar em Moscovo nem em São Petersburgo, mas sim em Anchorage, no estado norte-americano do Alasca. “É embaraçoso para mim estar aqui em cima. Vou ver o Putin. Vou à Rússia na sexta-feira”, declarou Trump.
O comentário, amplamente partilhado nas redes sociais, motivou ironias sobre um alegado “regresso” do Alasca à Rússia.
Casa Branca confirma cimeira em Anchorage
A Casa Branca confirmou que a reunião entre Trump e Putin está marcada para 15 de agosto de 2025, em Anchorage, como parte de um esforço diplomático para discutir a guerra na Ucrânia. Não há registo de qualquer correção pública do presidente sobre a afirmação inicial, nem explicações sobre uma eventual escala de Putin antes do encontro.
A importância simbólica da localização — num território que pertenceu ao Império Russo até ser comprado pelos Estados Unidos em 1867 — não passou despercebida, sobretudo no atual contexto de forte tensão geopolítica.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já considerou que a cimeira “nasce morta”, defendendo que o plano de paz promovido por Trump favorece Moscovo e poderia implicar cedências territoriais por parte de Kiev.
Paralelamente, Zelensky tem apelado a líderes europeus para que rejeitem qualquer proposta que obrigue a Ucrânia a ceder território não ocupado pela Rússia.
Segurança interna domina discurso de Trump
Apesar do impacto mediático do lapso geográfico, a intenção de Trump ao convocar a conferência de imprensa era sublinhar medidas de segurança interna. O presidente anunciou que vai enviar tropas da Guarda Nacional para “resgatar” Washington, assumindo temporariamente o controlo da polícia metropolitana para combater a criminalidade.
“Esta é uma ação necessária para devolver a segurança à nossa capital”, afirmou Trump.
A decisão surge, no entanto, em contradição com os dados oficiais, que indicam que o crime violento caiu 26% face ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo dos últimos 30 anos. A presidente da câmara, Muriel Bowser, acusou Trump de exagerar a situação para justificar uma demonstração de força.
Recorde-se que este não é o primeiro episódio em que declarações improvisadas de Trump geram confusão. No passado, o presidente já trocou nomes de líderes, datas de reuniões e localizações de cimeiras. Mas desta vez, o erro ganha particular relevo por envolver uma referência direta a uma viagem à Rússia, em plena guerra na Ucrânia.













