O fumo proveniente de incêndios florestais apresenta sérios riscos para a saúde humana, alerta o Serviço Nacional de Saúde (SNS). A exposição e inalação deste fumo pode provocar alterações respiratórias, cardíacas, neurológicas e oftalmológicas, alertou a entidade em comunicado, destacando ainda que o calor e os componentes químicos presentes podem agravar os efeitos.
O fumo de incêndios contém uma combinação de partículas microscópicas e gases, incluindo dióxido de carbono, vapor de água, monóxido de carbono e óxidos de azoto, entre outros, que permanecem suspensos no ar e podem ser perigosos para quem se encontra nas proximidades. A inalação destes elementos pode destruir células das vias respiratórias, interferir nos níveis de oxigénio no sangue e, em casos graves, provocar insuficiência respiratória.
O SNS detalha algumas das complicações potenciais: irritação dos olhos, nariz e garganta; aumento das secreções e expetoração; tosse persistente; inflamação e estreitamento das vias respiratórias (edema); doenças respiratórias como bronquite; agravamento de doenças cardíacas e respiratórias; e alterações do estado de consciência, incluindo fraqueza, sonolência ou desmaios.
Medidas preventivas recomendadas
Para reduzir o risco de exposição, o SNS recomenda que as famílias tenham alguns produtos essenciais em stock, como alimentos não perecíveis, medicação habitual e máscaras de proteção N95. É igualmente importante manter o ambiente doméstico protegido, com boas janelas e portas, procurar manter o ar fresco — de preferência com modo de recirculação — e acompanhar as notícias locais.
Ter um plano de evacuação definido e conhecido por todos os membros da família é outra medida essencial, assim como recorrer a contactos de emergência, incluindo SNS 24 (808 242 424), CIAV (800 250 250) em casos de intoxicação, e INEM (112) para situações de urgência.
Cuidados em caso de exposição direta ao fumo
Se alguém inalou fumo, deve ser retirado do local, evitando a continuação da exposição ao calor ou à fumaça. É fundamental verificar sinais de alerta, como queimaduras faciais, dificuldade respiratória ou alteração do estado de consciência, e contactar de imediato os serviços de saúde. Idosos, crianças, grávidas e pessoas com historial de doenças cardiovasculares ou respiratórias são particularmente vulneráveis, mas mesmo pessoas saudáveis podem necessitar de assistência, dependendo da duração da exposição, idade e suscetibilidade individual.
Recomendações adicionais e mitos a esquecer
O SNS alerta ainda para medidas preventivas adicionais: evitar fontes de combustão dentro de casa, como aparelhos a gás, lareiras, tabaco, velas ou incenso; não alterar a medicação habitual em casos de doenças como asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC); manter uma boa hidratação e procurar manter-se fresco. Contrariamente a um mito comum, o leite “não impede ou combate a ação tóxica” do fumo nem protege contra os riscos da inalação.













