França vai construir prisão de alta segurança na Amazónia para isolar traficantes de droga e terroristas

O governo francês anunciou a construção de uma nova prisão de alta segurança na floresta amazónica, na região da Guiana Francesa, como parte de uma estratégia nacional para combater o narcotráfico e o terrorismo.

Pedro Gonçalves
Maio 19, 2025
17:30

O governo francês anunciou a construção de uma nova prisão de alta segurança na floresta amazónica, na região da Guiana Francesa, como parte de uma estratégia nacional para combater o narcotráfico e o terrorismo. O projeto, avaliado em 400 milhões de euros, foi revelado pelo ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, no domingo, durante uma visita oficial ao território ultramarino francês na América do Sul, que faz fronteira com o Brasil e o Suriname.

A nova infraestrutura será erguida em Saint-Laurent-du-Maroni, uma localidade próxima à tristemente célebre Ilha do Diabo — antiga colónia penal francesa que funcionou até à década de 1950 e que ficou imortalizada no romance autobiográfico Papillon, adaptado posteriormente ao cinema com Dustin Hoffman e Steve McQueen nos papéis principais.

Segundo Darmanin, a futura prisão terá capacidade para 500 reclusos, estando previsto o alojamento de 60 traficantes de droga de alto risco e 15 detidos por crimes de terrorismo. O complexo incluirá ainda um novo tribunal, a instalar nas instalações do Ministério da Justiça, com inauguração prevista para 2028.

“O objetivo é colocar fora de ação os traficantes de droga mais perigosos”, afirmou Gérald Darmanin ao jornal Le Journal du Dimanche (JDD).

Além de isolar líderes do narcotráfico das suas redes criminosas, a nova unidade contribuirá para aliviar a sobrelotação do sistema prisional francês, uma preocupação que tem vindo a agravar-se nos últimos anos.

Esta iniciativa integra um plano mais vasto delineado por Darmanin para reforçar o combate ao tráfico de estupefacientes em França. O ministro quer, até ao verão, isolar os 100 principais traficantes franceses dos seus círculos de influência e impedir que continuem a operar a partir das prisões.

Como parte desse esforço, já está em curso a transferência de reclusos de alto risco para duas prisões de segurança máxima localizadas em território continental francês: Vendin-le-Vieil (Pas-de-Calais) e Condé-sur-Sarthe (Orne).

Em declarações ao Le Monde em janeiro, Darmanin sublinhou a urgência de agir:

“O que é insuportável é que as prisões deixaram de ser um obstáculo para muitos narcotraficantes. Continuam a traficar, a ordenar assassinatos ou a ameaçar magistrados, guardas prisionais, jornalistas e advogados.”

O futuro estabelecimento penal na Guiana Francesa será a terceira prisão de segurança reforçada integrada neste plano nacional contra o narcotráfico, servindo como uma instalação estratégica num território onde o tráfico de droga representa um problema persistente, devido à sua localização geográfica e vulnerabilidades fronteiriças.

A escolha da Guiana Francesa não é apenas simbólica — pelas memórias da antiga colónia penal — mas também tática, apostando no isolamento geográfico para limitar ao máximo a capacidade de comunicação e influência dos reclusos mais perigosos.

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