Forças de segurança envelhecidas: Mais de metade dos PSP e GNR têm mais de 40 anos

57% dos polícias da PSP e da GNR estão acima dos 40 anos de idade, mas a PSP destaca-se por ter 20% dos seus elementos já com mais de 55 anos — ao contrário da GNR, onde essa percentagem não chega a 1%.

Pedro Gonçalves
Julho 21, 2025
10:34

Forças de segurança envelhecem: mais de metade dos polícias e guardas têm mais de 40 anos
De acordo com uma análise do Correio da Manhã aos balanços sociais das duas forças de segurança, 57% dos polícias da PSP e da GNR estão acima dos 40 anos de idade, mas a PSP destaca-se por ter 20% dos seus elementos já com mais de 55 anos — ao contrário da GNR, onde essa percentagem não chega a 1%.

A discrepância acentua-se com a idade e os anos de serviço. Na PSP, 60% dos agentes têm mais de 25 anos de carreira e 6% mantêm-se ao serviço há mais de quatro décadas. Na categoria dos chefes, 34% têm mais de 55 anos e quase 13% permanecem na instituição há mais de 40 anos. Por contraste, na GNR, apenas 0,74% dos militares têm mais de 40 anos de serviço, sendo os sargentos os mais envelhecidos: 62,3% contam mais de 25 anos de carreira, mas apenas 4,8% superam as quatro décadas de serviço.

Em termos de recursos humanos, a GNR conseguiu, em 2024, um saldo positivo de cinco militares entre entradas e saídas, apesar da perda de 75 guardas. Já a PSP sofreu uma perda líquida de 183 elementos, com reduções em todas as categorias: menos 147 chefes, 20 oficiais e 16 agentes. A situação é agravada pelo incumprimento da pré-aposentação. “Há mais de dez anos que a pré-aposentação não é cumprida”, denuncia Paulo Santos, presidente da ASPP/PSP, alertando para o impacto no envelhecimento da força policial. “A PSP está moribunda e o Governo tem de reatar as negociações”, acrescenta, defendendo melhores condições de trabalho e reestruturação da instituição.

O envelhecimento não é o único desafio. Em 2024, a PSP expulsou 14 elementos por via de processos disciplinares e suspendeu 22. Já a GNR registou 11 expulsões (por separação ou dispensa de serviço), além de 119 outras sanções. Apesar disso, foram atribuídos 4511 louvores aos militares da GNR, demonstrando também reconhecimento interno. A PSP, por seu lado, conta com 372 postos de trabalho por preencher, agravando a escassez de pessoal.

A nível salarial, mais de metade (53,5%) dos polícias da PSP recebe menos de 1500 euros brutos por mês, um contraste face à GNR, onde essa proporção é de apenas 18,8%. A discrepância entre remuneração e exigência funcional é um dos fatores que, segundo os sindicatos, contribui para a falta de atratividade da carreira. A GNR alerta ainda que quase 10% do seu efetivo já ultrapassou os 35 anos de serviço, o que poderá originar uma “grande saída” de efetivos por reforma num curto espaço de tempo.

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