A Finlândia concluiu os primeiros 35 quilómetros da nova vedação fronteiriça com a Rússia, uma estrutura metálica de 4,5 metros de altura, destinada a impedir o atravessamento irregular de migrantes através das zonas florestais que se estendem ao longo da extensa fronteira leste do país. O anúncio foi feito esta quarta-feira, 21 de maio, pela Guarda de Fronteira finlandesa, que supervisiona o projecto.
A construção da barreira teve início em 2023, na sequência de um aumento abrupto do número de requerentes de asilo oriundos de países como a Síria e a Somália que chegaram à Finlândia através da Rússia. Helsínquia acredita que o fluxo migratório foi deliberadamente incentivado por Moscovo como forma de pressão política, numa altura em que as relações bilaterais se deterioraram na sequência da invasão russa da Ucrânia.
“O principal objetivo da vedação é controlar grandes fluxos de pessoas caso tentem entrar da Rússia para a Finlândia”, afirmou Antti Virta, comandante-adjunto do Distrito da Guarda de Fronteira do Sudeste da Finlândia, em declarações à agência Reuters.
Apesar do ambiente calmo que se vive atualmente na zona de Nuijamaa — junto a um dos antigos postos de passagem agora encerrados — a tensão subjacente à construção da vedação é significativa. Após décadas de relações pacíficas com Moscovo, a Finlândia aderiu à NATO em 2023, em resposta à guerra na Ucrânia, o que levou o Kremlin a ameaçar represálias.
Nesse mesmo ano, cerca de 1.300 migrantes de países terceiros atravessaram a fronteira russo-finlandesa para pedir asilo. Como resposta, Helsínquia decidiu encerrar todos os oito pontos de passagem de passageiros com a Rússia, uma medida que permanece em vigor por tempo indeterminado.
A construção da vedação tem suscitado críticas tanto da Rússia como de entidades internacionais. Moscovo negou estar por detrás dos fluxos migratórios e lamentou profundamente a decisão de Helsínquia de encerrar a fronteira, classificando-a como um reflexo de uma postura “anti-russa” adotada pelas autoridades finlandesas.
Por sua vez, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos solicitou ao governo finlandês uma justificação para o encerramento indefinido das fronteiras. Em 2023, o comissário dos Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, alertou que as restrições temporárias à apresentação de pedidos de asilo impostas pela Finlândia poderiam “violar obrigações internacionais, incluindo a proibição de devoluções forçadas e de expulsões coletivas”.
Segundo a Guarda de Fronteira finlandesa, a vedação é composta por grades metálicas de 3,5 metros, encimadas por um rolo de arame farpado com um metro de altura. A estrutura está equipada com câmaras de vigilância, sensores de movimento, altifalantes e sistemas de iluminação, permitindo uma monitorização contínua da fronteira.
Samuel Siljanen, chefe de operações da Guarda de Fronteira, defendeu a necessidade da barreira: “Do ponto de vista da Guarda de Fronteira, a estrutura melhora a nossa capacidade de vigilância e de resposta a qualquer perturbação ou incidente na fronteira.” Acrescentou ainda que a medida é essencial para lidar com fenómenos de migração organizada.
O projeto prevê a construção de 200 quilómetros de vedação, ao longo de um total de 1.344 km de fronteira que a Finlândia partilha com a Rússia — a mais longa entre qualquer país da União Europeia e Moscovo. A conclusão total está prevista para o final de 2026.














