“Está tudo fechado. É um caos”: Greve na CP deixa comboios apinhados e estraga férias a portugueses e estrangeiros

A greve dos trabalhadores da CP, que arrancou hoje e que se repete na quarta-feira, convocada por diversos sindicatos, está a deixar portugueses e turistas à beira de um ataque de nervos.

Executive Digest
Julho 22, 2024
12:48

A greve dos trabalhadores da CP, que arrancou hoje e que se repete na quarta-feira, convocada por diversos sindicatos, está a deixar portugueses e turistas à beira de um ataque de nervos. Se por um lado os comboios suprimidos oi atrasados vieram ‘estragar’ os planos das férias, por outro menos comboios significa carruagens a abarrotar nestes dias, o que se veio a confirmar na Linha de Sintra, por exemplo, deixando centenas de pessoas desesperadas para conseguirem chegar ao trabalho.

Na manhã desta segunda-feira, nenhum comboio Alfa Pendular ou Intercidades circulou, afetando milhares de passageiros. A paralisação está agendada para se repetir na quarta-feira, aumentando a frustração e os desafios enfrentados pelos utilizadores do serviço ferroviário.

Timothy Alvin, recém-chegado dos Estados Unidos com a sua esposa e duas filhas gémeas de 2 anos, encontrou-se numa situação caótica na Gare do Oriente. Carregados com bagagem volumosa e um carrinho de bebé, o casal lutou para obter informações sobre os horários dos comboios. “Chego aqui e não há comboios. Nem ninguém que nos dê informação”, desabafou Alvin à Rádio Renascença. Ao perceber que todas as ligações ferroviárias estavam “suprimidas”, incluindo a que os levaria a Faro, a família entrou em pânico ao não saber como chegar ao seu destino final.

Uma máquina de venda automática de bilhetes de autocarro foi apontada como a única alternativa viável, obrigando a família e muitos outros passageiros a gastar mais dinheiro para viagens que já tinham sido pagas. O processo de reembolso pelo site da CP permanece incerto.

No interior da estação, Juliano Lanzonni, vindo do Brasil para visitar o seu filho em Aveiro, expressou a sua frustração. “Vim do Brasil para ver o meu filho, que está em Aveiro. Vou passar 15 dias em Portugal. Comprei tudo antecipadamente no Brasil, para não haver erro e ter os horários certinhos. Chego aqui e não há comboios para Aveiro. Nem ninguém que nos dê informação. Está tudo fechado. É um caos.”

Após gastar mais dinheiro em bilhetes de autocarro, Lanzonni, como muitos outros turistas, enfrentou um começo atribulado das suas férias. Alguns passageiros, depois de longas horas de voo, optaram por táxis para destinos como Portimão, incorrendo em despesas adicionais significativas.

Ainda antes das sete da manhã, centenas de passageiros regulares da CP aglomeraram-se nas plataformas da estação de Agualva-Cacém. Às 06:40, um comboio vindo de Sintra em direção ao Rossio chegou já lotado e tornou-se ainda mais sobrecarregado com a entrada de dezenas de novos passageiros. Um maquinista da CP, que preferiu manter o anonimato, destacou os perigos de ter comboios a circular apenas de hora a hora durante os períodos de ponta. “Não se faz ideia do perigo que representa para os passageiros ter comboios a circular apenas de hora a hora, nas horas de ponta. Quem consegue entrar sujeita-se a uma viagem que pode levar mais tempo do que o habitual em condições verdadeiramente inacreditáveis: calor intenso e falta de espaço, que provocam indisposições e ataques de pânico em muitas pessoas.”

Recorde-se que há cerca de um ano, um incidente semelhante ocorreu quando um comboio da CP parou pouco antes de chegar à estação de Benfica, causando pânico entre os passageiros devido à superlotação. Algumas pessoas sentiram-se indispostas e tiveram crises de ansiedade, forçando as portas para sair e acabando na linha férrea, o que interrompeu a circulação.

 

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.