A Polícia Judiciária (PJ), em conferência de imprensa conjunta com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Instituto de Medicina Legal e o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários, confirmou esta quinta-feira novos dados sobre as vítimas mortais do descarrilamento do Elevador da Glória, que ocorreu na quarta-feira em Lisboa e provocou 16 mortos e mais de duas dezenas de feridos.
O diretor nacional da PJ, Luís Neves, abriu a conferência manifestando condolências às famílias e amigos das vítimas, desejando ainda rápidas melhoras aos feridos. Neves elogiou a “colaboração institucional exemplar” entre as entidades envolvidas na resposta ao acidente, destacando o trabalho dos bombeiros sapadores e da PSP na preservação do perímetro de segurança, que permitiu à PJ avançar de imediato com as investigações.
Segundo o responsável, a Judiciária mobilizou toda a secção de homicídios da diretoria de Lisboa, assim como o laboratório de polícia científica, trabalhando em articulação com o Instituto de Medicina Legal e autoridades internacionais para a identificação das vítimas estrangeiras.
Para apoiar as famílias, foi criada uma linha direta de telefone e de email. Só nas primeiras horas, foram recebidas mais de 200 chamadas, adiantou Luís Neves, permitindo prestar informação imediata a familiares em Portugal e no estrangeiro.
“Estamos em permanente contacto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), de forma a salvaguardar os interesses dos familiares das vítimas mortais”, acrescentou o diretor da PJ.
Estão já confirmados cinco portugueses, dois cidadãos sul-coreanos e um suíço entre as vítimas mortais. Luís Neves adiantou ainda que existe “com elevado grau de probabilidade” a identificação de um cidadão alemão, dois canadianos, um ucraniano e um norte-americano.
Faltam ainda determinar três nacionalidades. O processo decorre com cruzamento de impressões digitais, ADN e fichas dentárias.
Autópsias concluídas em tempo recorde
O presidente do Instituto de Medicina Legal, Francisco Côrte-Real, revelou que foi acionada de imediato a equipa de desastres de massa, com médicos no terreno desde as primeiras horas. Técnicos de várias regiões do país — incluindo Porto, Coimbra e Tomar — foram mobilizados para Lisboa, o que permitiu iniciar as autópsias a partir da meia-noite.
As 15 autópsias dos corpos que chegaram ontem ao instituto foram concluídas até ao início da tarde de hoje, e a 16.ª autópsia foi também finalizada. No total, 37 peritos estiveram envolvidos na operação.
Segundo Côrte-Real, o objetivo foi “minorar o sofrimento das famílias” através de uma identificação célere dos corpos.
Seis feridos graves em cuidados intensivos
O diretor-executivo do SNS, Álvaro Almeida, informou que os hospitais receberam 23 vítimas do acidente: 13 feridos ligeiros e 10 graves.
“Um dos feridos graves acabou por falecer”, confirmou. Dos restantes, seis encontram-se em cuidados intensivos, enquanto os outros três apresentam uma evolução mais favorável.
Todos os feridos ligeiros já tiveram alta.
Entre os feridos graves identificados estão três portugueses, um alemão, um sul-coreano, um suíço, um cabo-verdiano e um marroquino. Entre os feridos ligeiros há ainda registo de cidadãos espanhóis, israelitas, brasileiros, italianos, franceses e portugueses.
“O SNS respondeu como era suposto no momento difícil, graças à grande disponibilidade dos profissionais de saúde”, sublinhou Álvaro Almeida.
Investigação técnica em curso
O responsável do GPIAAF, Nelson Oliveira, esclareceu que a investigação em curso “não é judicial, mas técnica”, com o objetivo de compreender as razões do acidente e reforçar a segurança no transporte ferroviário.
O gabinete foi notificado cerca de 50 minutos após o acidente e iniciou a recolha de indícios na manhã desta quinta-feira, entre as 8h30 e as 13h, em cooperação com o Ministério Público, PJ, Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e Carris.
“Os indícios identificados estão em fase de processamento”, explicou, adiantando que os destroços do veículo número um serão transportados para um local seguro e submetidos a peritagens.
Foram ainda recolhidos documentos relacionados com a manutenção do elevador e estão a ser preparadas entrevistas às equipas de manutenção, para apurar os chamados “factos remotos” do acidente.
Oliveira anunciou que será publicada uma primeira nota informativa amanhã ao final da tarde, enquanto um relatório preliminar deverá ser divulgado no prazo de 45 dias.














