É oficial: cientistas marcam data para o fim do Universo (mas ainda falta muito tempo…)

Investigadores publicaram as suas descobertas no ‘Journal of Cosmology and Astroarticle Physics’

Francisco Laranjeira
Maio 13, 2025
14:35

O universo está a desintegrar-se muito mais rapidamente do que se pensava: isso mesmo foi determinado pelos cálculos de três cientistas dos Países Baixos sobre a chamada radiação Hawking, que estimaram que vai demorar cerca de 10 elevado a 78 anos (10 seguido de 78 zeros) para desaparecer. Esse tempo é muito menor do que os 10 elevado à potência de 1.100 postulados anteriormente. Os investigadores publicaram as suas descobertas no ‘Journal of Cosmology and Astroarticle Physics’.

A pesquisa do especialista em buracos negros Heino Falcke, do físico quântico Michael Wondrak e do matemático Walter van Suijlekom (todos da Universidade Radboud de Nijmegen, Países Baixos) apontou que não apenas os buracos negros, mas também outros objetos, como estrelas de nêutrons, podem “evaporar” por meio de um processo semelhante à radiação de Hawking.

Os cientistas calcularam que o fim do universo ocorrerá em cerca de 10 elevado a 78 anos, se apenas for considerada a radiação Hawking. Este é o tempo que as estrelas anãs brancas, os corpos celestes mais persistentes, levam para se desintegrar através da radiação Hawking. O autor principal Heino Falcke salientou que “o fim definitivo do universo está a chegar muito mais cedo do que o esperado, mas felizmente ainda está muito longe”.

A base dos novos cálculos é uma reinterpretação da radiação de Hawking. Em 1975, o físico Stephen Hawking postulou que, contrariamente à teoria da relatividade, partículas e radiação poderiam escapar de um buraco negro. Na borda de um buraco negro, duas partículas temporárias podem-se formar. Antes de se fundir, um é absorvido pelo buraco negro e o outro escapa.

Uma das consequências da chamada radiação Hawking é que um buraco negro se desintegra muito lentamente em partículas e radiação. Isso contradiz a teoria da relatividade de Albert Einstein, que afirma que buracos negros só podem crescer.

Os investigadores calcularam que, em teoria, o processo de radiação Hawking também se aplica a outros objetos com campos gravitacionais. Os cálculos também mostraram que o tempo de evaporação de um objeto depende somente da sua densidade.

Para surpresa dos investigadores, as estrelas de nêutrons e buracos negros estelares levaram o mesmo tempo para se desintegrar: 10 elevado a 67 anos. Isso foi inesperado, pois os buracos negros têm um campo gravitacional mais forte, o que deve acelerar sua evaporação. “Mas buracos negros não têm superfícies”, diz o coautor e investigador de pós-doutoramento Michael Wondrak. “Eles reabsorvem parte da sua própria radiação, o que inibe o processo.”

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