Costa considera fundamental mais proteção social na UE para travar pulsões populistas

Estas posições foram transmitidas por António Costa no âmbito do jantar da Cimeira Ministerial da Agência Espacial Europeia, que decorre no Porto e que tem como tema central “Acelerar a Utilização do Espaço na Europa”.

Executive Digest com Lusa
Novembro 19, 2021
8:41

O primeiro-ministro considerou hoje essencial o reforço das medidas europeias de proteção social para compensar os custos das transições climática e digital em curso e advertiu que a exclusão alimenta as pulsões populistas.

Estas posições foram transmitidas por António Costa no âmbito do jantar da Cimeira Ministerial da Agência Espacial Europeia, que decorre no Porto e que tem como tema central “Acelerar a Utilização do Espaço na Europa”.

No seu discurso, em que também defendeu a autonomia estratégica da União Europeia também no domínio do setor espacial, o líder do executivo sustentou que em todos os processos de transição, como os atuais ao nível do digital e do clima, “é fundamental garantir que os benefícios do progresso chegam a todos os cidadãos e que ninguém é deixado para trás”.

“Foi aliás com esse mote que realizámos aqui no Porto, em maio passado, no quadro da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, a cimeira social. Uma cimeira que visou precisamente estabelecer um compromisso relativamente à implementação do pilar dos direitos sociais para que os processos de transição digital e energético sejam justos”, apontou.

De acordo com o primeiro-ministro, no presente, “também em Portugal, não faltam exemplos de como os custos inevitáveis destas transições colocam a necessidade de proteção social para todos”.

“Estas transições devem servir o futuro da humanidade e não alimentar no presente pulsões populistas que a exclusão inevitavelmente alimenta. Por isso, é importante partilhar informação e os benefícios das tecnologias, que devem ser focadas no interesse dos utilizadores”, defendeu.

De uma forma geral, segundo António Costa, os cidadãos enfrentam “desafios cada vez maiores e a sua qualidade de vida e o seu futuro sustentável só podem ser garantidos de forma eficaz através de uma nova geração de sistemas de informação, em que os sistemas espaciais orientados para o utilizador tornam os cidadãos europeus parte integrante”.

“Devemos por isso aumentar as ambições da Europa neste domínio, de forma articulada entre a ESA (Agência Europeia Espacial), os seus Estados-membros e a Comissão Europeia, tendo em vista assegurar também aqui uma efetiva autonomia estratégica da Europa. Mas de uma Europa aberta ao mundo e de uma Europa aberta ao espaço”, ressalvou.

António Costa disse depois que no domínio espacial “Portugal está a tentar fazer a sua parte, mobilizando empresas, instituições científicas e académicas, empreendedores, investigadores e estudantes”.

“No contexto da implementação da estratégia Portugal Espaço 2030, criámos a Agência Espacial Portuguesa e estão em curso processos de dinamização de novas indústrias do espaço, de atração de investimento estrangeiro e de dinamização da colaboração das instituições científicas e académicas na promoção de uma nova década de valorização de sistemas espaciais e de observação da terra”, referiu.

“O nosso objetivo coletivo passa por estimular a atração de recursos humanos qualificados e novas atividades económicas de maior valor acrescentado, num quadro de cooperação com as organizações internacionais que Portugal participa, em particular na ESA”, completou.

Neste quadro, indicou a seguir o primeiro-ministro, “assume particular relevância desde 2016 a definição e promoção de uma agenda de investigação e inovação sobre interações atlânticas, a qual resultou na criação do Atlantic International Research Center – AIR Center, em 2017”. Um organismo que afirmou ser orientado para o estudo e exploração do espaço no sentido do desenvolvimento socioeconómico do Atlântico, “num esforço multidisciplinar e multinacional, que inclui um laboratório de Observação da Terra nos Açores focado em sistemas relacionados com Observação da Terra e vigilância marítima”.

“Mas também a definição e promoção do Ecossistema Espacial de Santa Maria, que inclui a promoção para a instalação e operação de um porto espacial aberto nessa ilha dos Açores orientado para operações integradas de lançamento, aterragem no mar e recuperação e reutilização de lançadores”, acrescentou.

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