Cometa verde aproxima-se da Terra: Será visível nos próximos dias e só voltará a aparecer dentro de um milhão de anos

Este cometa, que se distingue por uma invulgar tonalidade esverdeada, será visível a partir do hemisfério norte nas próximas semanas — mas apenas com equipamento astronómico apropriado.

Pedro Gonçalves
Maio 1, 2025
13:30

Um fenómeno celeste raro está prestes a acontecer e promete captar a atenção de astrónomos e curiosos de todo o mundo: trata-se do cometa C/2025 F2 (SWAN), recentemente descoberto, que se aproxima da Terra e do Sol numa trajetória única. Este cometa, que se distingue por uma invulgar tonalidade esverdeada, será visível a partir do hemisfério norte nas próximas semanas — mas apenas com equipamento astronómico apropriado.

O corpo celeste, designado oficialmente como C/2025 F2 (SWAN), foi identificado durante observações conduzidas por astrónomos que agora acompanham de perto o seu percurso. Embora ainda não seja visível a olho nu, o cometa pode já ser localizado com telescópios ou binóculos potentes, sobretudo nas primeiras horas da manhã. De acordo com Jiří Dušek, diretor do Observatório e Planetário de Brno, na República Checa, “o cometa encontra-se atualmente na constelação de Andrómeda, visível no céu matutino”, mas sublinha que “é necessário um céu escuro e um telescópio para o observar”.

A particularidade deste cometa está não apenas na sua tonalidade verde brilhante — causada, segundo os astrónomos, pela presença de carbono diatómico e outras moléculas voláteis que brilham ao interagir com a radiação solar —, mas sobretudo no facto de esta ser uma oportunidade única para o observar. Os cálculos preliminares indicam que, após a sua aproximação atual, o C/2025 F2 não voltará a passar próximo da Terra antes de um milhão de anos.

O momento mais esperado ocorrerá no dia 1 de maio de 2025, data em que o cometa atingirá o ponto mais próximo quer do Sol quer da Terra, ficando a aproximadamente 145 milhões de quilómetros do nosso planeta. Esta aproximação poderá, se o cometa resistir ao intenso calor e radiação solar, torná-lo visível a olho nu nos céus ocidentais logo após o pôr do sol.

“Se sobreviver à passagem junto do Sol, poderá tornar-se visível depois do entardecer, junto ao horizonte a oeste, nos dias seguintes”, acrescenta Jiří Dušek, citado pelo jornal checo Deník. A possibilidade de o fenómeno se tornar visível sem ajuda ótica depende da integridade do núcleo do cometa, que poderá fragmentar-se ou perder brilho durante o periélio (ponto mais próximo do Sol na órbita).

A observação de cometas é sempre imprevisível, mas os especialistas não escondem o entusiasmo perante esta rara oportunidade. Fenómenos semelhantes, como o cometa Neowise em 2020, geraram grande interesse público, mas o C/2025 F2 (SWAN) tem o adicional fascínio de um regresso improvável em termos de tempo astronómico.

Para os que pretendem acompanhar o fenómeno, os astrónomos recomendam procurar locais com pouca poluição luminosa e utilizar, se possível, telescópios de média ou grande potência. Mesmo que o cometa não chegue a ser visível a olho nu, a sua passagem representa uma ocasião científica única para estudar a composição e o comportamento destes corpos gelados oriundos das regiões mais distantes do sistema solar.

Este raro visitante celeste, que se despede da Terra provavelmente para sempre, oferece uma janela efémera para contemplar o universo — e, com um pouco de sorte, poderá iluminar os céus de maio com um brilho verde que marcará para muitos uma experiência inesquecível.

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