Após mais de três anos de conflito, a Rússia enfrenta uma grave crise económica provocada pela guerra na Ucrânia, que se traduz em inflação elevada, falta de mão de obra e um aumento preocupante da inadimplência, segundo alertas das autoridades e bancos russos. A situação agrava-se com a recente decisão do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de retomar o envio de armamento para Kiev, complicando os planos de Vladimir Putin.
Durante o Fórum Económico de São Petersburgo, o Ministro da Economia russo, Maxim Reshetnikov, reconheceu que o país está à beira de uma recessão. A governadora do Banco Central, Elvira Nabiullina, reforçou o alerta ao afirmar que os recursos essenciais para o crescimento, como mão de obra, capacidade produtiva e reservas financeiras, estão praticamente esgotados, revela o ‘elEconomista’.
A campanha militar prolongada levou a um esgotamento dos cofres do Estado, acompanhado por uma inflação que ultrapassa os 10%, causada pela escassez de trabalhadores devido ao recrutamento massivo, aumento dos salários — especialmente na indústria militar — e o impacto das sanções ocidentais. Este cenário tem colocado a economia russa em estagflação, com taxas de juro superiores a 20% e um sistema financeiro vulnerável a uma onda de incumprimentos nos próximos meses.
A dependência do setor bélico representa um desafio adicional para a economia do país, uma vez que os elevados salários militares, dez vezes superiores ao salário mínimo nacional, tornam a transição para a paz um processo complexo e de elevado risco para a estabilidade futura.
Paralelamente, a nova ajuda militar dos EUA à Ucrânia, anunciada por Donald Trump, intensifica a pressão sobre Moscovo, numa altura em que a Rússia enfrenta isolamento político e económico crescente. O sonho de Putin de controlar a Ucrânia e conter a expansão da NATO parece cada vez mais distante, enquanto o país sente os efeitos da guerra tanto no terreno como na economia.










