Cientistas alemães fazem “grande descoberta” que pode desvendar os segredos do envelhecimento (e retardá-lo)

Uma equipa de cientistas alemães parece ter dado um grande passo para responder às muitas perguntas que o processo de envelhecer coloca, em particular no que concerne a como acelerar ou reverter este processo.

Pedro Gonçalves
Abril 20, 2023
17:46

O envelhecimento, uma inevitabilidade da vida, é ainda um dos grandes mistérios da ciência e da medicina, apesar de séculos de investigação e progresso. No entanto, uma equipa de cientistas alemães parece ter dado um grande passo para responder às muitas perguntas que o processo de envelhecer coloca, em particular no que concerne a como acelerar ou reverter este processo.

Investigadores da Universidade de Colónia, na Alemanha, descobriram que a transcrição de genes – o processo em que uma célula faz uma cópia RNA de uma parte do ADN -, torna-se mais rápida com a idade, mas também menos precisa e mais propensa a erros. Por outro lado, os cientistas revelaram também na investigação, agora publicada na revista Nature, que alguns processos podem ajudar a reverter este declínio.

“è o tipo de descoberta que não se faz todos os dias. É uma grande descoberta. Os meus colegas estão muito entusiasmados”, comenta à Euronews Andreas Meyer, responsável pela investigação.

A transcrição da genes é importante pois a cópia tem a informação genética necessária para construir proteínas numa célula. Serão estas a determinar o estado e função das células, que por sua vez estrutura os seres vivos.

Ao longo da nossa vida, as células humanas regeneram-se “mas cada célula é diferente, e o que as torna assim são os diferentes genes que são ativados nelas. Esta ativação é a transcrição”, sumariza Meyer.

A ‘máquina’ que faz a cópia da transcrição de genes é a Pol II (polimerase II de RNA). A equipa verificou que se a Pol II “se tornar muito rápida [com a idade], comete mais erros e a sequência não é idêntica à sequência genómica “. Desta forma, as cópias ‘más’ feitas tornam o organismo mais suscetível a uma série de doenças.

Estudos anteriores já haviam provado que dietas pouco calóricas e a inibição da sinalização de insulina (impedir a transmissão de siais entre a insulina e as células) poderia retardar o envelhecimento e estender a esperança de vida de muitos animais. Agora, a equipa alemã quis verificar se as mesmas condições têm impacto em abrandar a velocidade a que a Pol II se vai degradando, e reduzir o número de cópias ‘defeituosas’.

A equipa, de 26 pessoas de 6 laboratórios diferentes, trabalhou com minhocas, ratos e moscas geneticamente modificados para inibir os sinais de insulina, e ratos sujeitos a dietas com baixos níveis calóricos. Em ambos os casos verificou-se que a Pol II reagia e avançava de forma mais lenta, fazendo menos erros de cópia.

No caso das moscas e minhocas, as que tinham a mutação genética que abrandava a Pol II viviam mais 10 a 20% do que as que não tinham a mutação.

Quando os investigadores reverteram o processo, usando edição genética nas minhocas, verificou-se que os animais tinham um tempo de vida encurtado, estabelecendo-se uma relação causal.

Para fazer as experiências com células humanas, os cientistas usaram amostras de sangue de jovens e idosos. “Quando comparámos as células in vitro, obtivemos os mesmos resultados”, revelam os investigadores.

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