A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para a possibilidade de um aumento dos casos de dengue na Europa, incluindo Portugal, como consequência dos Jogos Olímpicos de Paris. A preocupação centra-se nas condições ideais que se reúnem para a proliferação do mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti, durante o período de realização do evento, de 26 de julho a 11 de agosto. Com incremento da deslocações para a Europa (e também dentro desta, por estarmos num período de férias de verão) há risco de a doença de propagar em vários países: incluindo Portugal.
A OMS destaca que as altas temperaturas associadas à circulação intensiva de pessoas durante os Jogos Olímpicos criam um ambiente favorável para a propagação do mosquito vetor da dengue. “As condições ideais estão presentes: calor e grande movimentação de pessoas,” refere a organização. Em França, onde se realizam os Jogos, já existem regiões onde o mosquito está presente.
Estratégias de Vigilância e Resposta
Para mitigar os riscos, a OMS está a colaborar com especialistas de vários países, incluindo Portugal, através do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT). A professora auxiliar do IHMT, Carla Sousa, em declarações à Renascença, enfatizou que há motivos para preocupação devido à combinação de fatores presentes.
“Primeiro, tem de haver o mosquito, e já existe. Segundo, o agente patogénico é transportado por pessoas que foram picadas em regiões endémicas e têm o vírus em quantidade suficiente na sua circulação periférica. Se forem picadas pelos mosquitos vetores, estes podem transmitir a doença, potencialmente originando um surto,” explicou Carla Sousa.
Fatores de Risco
A especialista sublinhou que muitas das provas dos Jogos Olímpicos ocorrerão em Paris, onde já foi registado um caso autóctone de dengue. Além disso, o aumento do fluxo de pessoas provenientes de regiões afetadas pela doença eleva o risco de surtos. “Tudo isto num centro populacional de elevada densidade é um cenário preocupante,” acrescentou.
Medidas de Prevenção
Dado que os mosquitos que transmitem a dengue picam principalmente durante o dia, Carla Sousa aconselha medidas preventivas para evitar picadas. “Usar roupas claras, largas e compridas. Nada de alcinhas ou calções. Aplicar repelente nas roupas e nas zonas expostas, usar sapatos fechados e meias,” recomendou a investigadora.
Risco em Portugal
Portugal já registou casos importados de dengue, como durante o surto no Carnaval do Rio de Janeiro. A professora alerta para a possibilidade de casos autóctones, especialmente porque o vetor está presente. “Desde que temos o vetor, o risco existe. Existe sempre a possibilidade de chegar alguém em período de viremia infetante para o mosquito,” explicou Carla Sousa.
A especialista relembra o surto de dengue ocorrido na Madeira em 2012, sublinhando que o vetor existente na ilha é mais “competente” do que o mosquito-tigre-asiático (Aedes albopictus) presente em Paris. “O risco só é zero quando não temos o vetor. A partir daí, pode ser maior ou menor, dependendo de várias circunstâncias,” concluiu.





