A Marinha Portuguesa alertou esta terça-feira para a ocorrência de uma “onda de calor marinha” extrema na costa algarvia, com a temperatura da água do mar a atingir valores sem precedentes nos últimos 20 anos, de acordo com dados recolhidos pelo Instituto Hidrográfico.
Entre os dias 28 de junho e 9 de julho, a boia de monitorização “Faro Costeira” registou temperaturas da superfície do mar significativamente acima da média das últimas duas décadas, atingindo o pico de 25,9 ºC no dia 4 de julho. A Marinha assinala que este fenómeno corresponde a uma anomalia térmica severa, com impacto potencial nos ecossistemas marinhos, atividade piscatória e até na saúde pública.
De acordo com os critérios definidos pelos especialistas, uma onda de calor marinha ocorre quando a temperatura diária da superfície do mar ultrapassa o percentil 90 — um limite estatístico calculado com base em médias históricas — durante pelo menos cinco dias consecutivos. No caso de Faro, as temperaturas observadas estiveram entre as 10% mais elevadas dos últimos 20 anos.
A Marinha esclarece, em comunicado, que “a temperatura diária da água do mar registada em Faro ultrapassou em mais de 5 ºC o percentil 90, o que classifica este episódio como uma onda de calor marinha de categoria extrema”.
O fenómeno preocupa as autoridades e especialistas devido aos potenciais efeitos negativos sobre os habitats marinhos, nomeadamente sobre recifes, algas e espécies sensíveis a variações térmicas. Ondas de calor marinhas podem também favorecer a proliferação de algas nocivas, causar mortalidade de espécies e afetar as capturas de pesca, com consequências económicas relevantes para a região.
Este episódio surge numa altura em que o tempo instável — com nebulosidade, vento e variações de temperatura — não tem impedido a presença de turistas nas praias do Algarve, como se tem verificado, por exemplo, na Praia da Fuzeta. A sensação térmica e a temperatura da água, mais elevadas, continuam a atrair banhistas, apesar dos alertas científicos.














