Alforrecas paralisam central nuclear em França. É a segunda vez que acontece em menos de um mês

Um novo enxame de alforrecas obrigou, esta quarta-feira, ao desligamento de um dos reatores da central nuclear de Paluel, no norte de França, reduzindo quase para metade a produção elétrica da infraestrutura.

Pedro Gonçalves
Setembro 4, 2025
17:18

Um novo enxame de alforrecas obrigou, esta quarta-feira, ao desligamento de um dos reatores da central nuclear de Paluel, no norte de França, reduzindo quase para metade a produção elétrica da infraestrutura. Trata-se do segundo incidente do género em menos de um mês, depois de um episódio idêntico ocorrido a 11 de agosto na central de Gravelines, próximo de Dunquerque e Calais.

Segundo a empresa pública EDF, operadora do parque nuclear francês, o reator número 4 da central de Paluel foi desligado pelas 21h00 locais de quarta-feira, 3 de setembro, após a entrada de alforrecas nos filtros da estação de bombagem de água do mar. Em simultâneo, a potência do reator número 3 foi reduzida por precaução, de forma a proteger a infraestrutura.

“Unidade de produção número 4 foi desligada em segurança pelo operador após a chegada de alforrecas aos filtros (pré-filtros e tambores de filtragem) da estação de bombagem, situada na parte não nuclear das instalações”, confirmou a EDF em comunicado. A empresa acrescentou que as equipas “estão mobilizadas e a realizar os diagnósticos necessários para retomar a produção em segurança”.

No total, apenas dois dos quatro reatores de Paluel funcionaram em plena capacidade, limitando a produção da central, que em condições normais atinge os 5,5 gigawatts, tornando-a a segunda maior em França e a sétima no mundo em potência instalada.

O incidente de Paluel segue-se a outro registado a 11 de agosto na central de Gravelines, a sexta maior do mundo, que viu quatro dos seus seis reatores pararem devido à acumulação de alforrecas da espécie Rhizostoma octopus, também conhecida como “medusa-couve-flor”. Nessa altura, a EDF confirmou que o sistema de refrigeração ficou entupido pelos organismos marinhos, essenciais ao funcionamento seguro dos reatores.

“Elas não têm capacidade de natação dirigida, são arrastadas pelas correntes e acabam sugadas pelas bombas de captação de água”, explicou na altura Elvire Antajan, investigadora do Ifremer, o instituto público de investigação marinha francês, em declarações ao jornal Ouest-France.

A central de Gravelines, responsável por cerca de 5,4 gigawatts de produção elétrica, permanece numa fase de reinício gradual das unidades, após mais de uma semana de paragem parcial.

Este não é um caso isolado. Outras centrais nucleares já enfrentaram problemas semelhantes: a escocesa Torness em 2011, a japonesa Shimane e unidades norte-americanas na Califórnia (2009) e Florida (1984). Em 1993, a própria Gravelines teve de interromper toda a atividade após uma invasão massiva de Pleurobrachia, organismos conhecidos como groselhas-do-mar.

Segundo especialistas, o fenómeno poderá estar a tornar-se mais comum devido ao aumento da temperatura média das águas, à chegada de espécies invasoras, à redução de predadores naturais e à sobrepesca. No Canal da Mancha, onde Paluel capta água para arrefecimento, as condições mais quentes favorecem a proliferação de alforrecas, aumentando o risco de novos incidentes.

A EDF sublinhou que, além da paragem forçada do reator número 4 e da redução de potência do número 3, o reator número 2 da central de Paluel já se encontrava parado para manutenção programada. O objetivo é repor a plena capacidade “o mais rapidamente possível”, mas a empresa não avançou prazos para a retoma.

A dependência das centrais nucleares francesas da água do mar para refrigeração tem levantado preocupações adicionais, sobretudo em períodos de calor extremo. Em 2022, várias centrais tiveram de reduzir ou suspender a atividade devido à temperatura elevada dos rios e do mar.

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